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Ulisses Souza (Di)
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Rancharia é insegura
Escrito por Ulisses de Souza em 26/02/2020 às 08:33:12
 

Ouvi, no sábado de carnaval em um bar da cidade, várias pessoas comentando sobre a morte de Wilson Simionato, ocorrida no dia anterior.

O que previ em artigo anterior ficou explícito nas manifestações.

Depois que o suspeito foi morto, todos resolveram o crime à sua maneira.

Fui o único discordante.

Defendo a tese de que a PM do governo Dória fez uma ação espetaculosa e inútil para matar um suspeito encurralado em uma mata de Iepê.

Os policiais do Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep) usam fuzis com alcance de 4 quilômetros.

Então, o confronto é papo furado.

Para a polícia militar do governador Dória, foi mais um “Bandido bom é bandido morto”. Mas, para Rancharia essa ação foi desastrosa, já que eliminou a possibilidade de a polícia civil chegar à conclusão como foi o crime.

Houve o sequestro relâmpago? O crime foi cometido por uma única pessoa? O interesse era roubar o veículo? Por que a vítima foi sacrificada e amarrada? Uma só pessoa fez isso? Há alguma quadrilha especializada em roubos de carro por trás desse crime?

Provavelmente, essas perguntas poderão ficar sem respostas.

Isso não é bom para Rancharia, que carece de um sistema organizado de segurança, envolvendo as polícias civil, militar e guarda municipal.

O certo é que o crime cometido contra Wilson desnudou a insegurança em Rancharia.

Por exemplo, a abordagem ao carro da vítima foi na avenida Pedro de Toledo, a segunda principal da cidade. A polícia civil encontrou uma única câmera, em uma indústria, focada apenas para a sua portaria. Nem a rodoviária, onde embarcam e desembarcam pessoas, possui câmeras.

Já era sem tempo de Rancharia instalar câmeras de segurança em pontos estratégicos da cidade: acessos das rodovias, rodoviárias, etc.

Caso contrário, estaremos a mercê da bandidagem que começa a ser combatida nas grandes cidades e, logicamente, vai partir para o interior, em cidades menos vigiadas, como é a nossa.

O Conselho Municipal de Segurança (Conseg) precisa debater esse assunto e deixar de lado os problemas rotineiros de trânsito.


Quanto a política bélica da direita que se instalou no país de que “bandido bom é bandido morto” ou “olho por olho”, vale a pena lembrar uma citação atribuída a Mahatma Gandhi; “Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

 

 
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A MORTE DE WILSON SIMIONATO TERIA SIDO EM VÃO?
Escrito por Ulisses de Souza em 22/02/2020 às 10:45:17
 

O lamentável assassinato de Wilson Simionato merece algumas ponderações sobre a segurança na cidade.

Ele foi interceptado com o seu carro às 7h, quando a cidade está vazia e por ela transitam, a pé ou com veículos, pessoas que entram no trabalho nesse horário e familiares que levam crianças às escolas.

Antes de ser morto, Wilson foi abordado por quantas pessoas? Como foi essa abordagem entre o trajeto que ele fazia do Colégio Alpha à Padaria Vienense? Nesse horário, dá para o motorista notar alguma coisa suspeita. Foi um sequestro relâmpago? Como esses que as TVs divulgam imagens todos os dias? Se for, é preocupante, pois nessa ação, sempre há o apoio de carros e motos, e pessoas armadas. O Wilson teria dado uma carona, o que não era do seu feitio?

Essas perguntas provavelmente ficarão sem respostas, já que o suspeito foi morto em uma ação que envolveu helicóptero, cães, elite atiradora da PM. Não seria melhor ele vivo? Para contar como foi, onde foi, e, o principal, por quê?

Para a polícia do governador Dória foi um sucesso, mais um bandido morto. Mas, e a população de Rancharia, como fica? As investigações policiais, agora truncadas, vão dar uma resposta a quem precisa de proteção policial?

É bom lembrar que Rancharia é uma cidade pequena. Começa a ter pessoas pelas ruas a partir das 5h. Após as 6h, os madrugadores vão às padarias. Após as 6h30, o movimento aumenta com pais, avós, ônibus e vans levando as crianças para as escolas. Uma boa parte vai a pé. Há aqueles que entram às 7h no trabalho. Transito todos os dias pela cidade entre 6h e 7h30. Sempre cruzava com o Wilson.

Wilson era o perfil do cidadão pacato do interior. Aposentado. Durante seis anos foi gerente do Rancharia Clube e eu o presidente da entidade. Pessoa leal, correta, trabalhador, meus braços direito e esquerdo nas mudanças que fizemos e nas obras que executamos.
As deduções sobre o que aconteceu neste lamentável crime são apenas ilações de pessoas que se dispõem a imaginar o que aconteceu.

Mas e a polícia civil? Vai ficar por isso mesmo?

É sabido que a civil de Rancharia trabalha sob um amontado de investigações, sem profissionais e com os delegados executando o triste papel de enviar pela internet dados que interessam ao ranking divulgado pelo governo.

A PM, com um contingente manco, pode guardar a cidade por 24 horas? É uma viatura só, e olha lá. Mas, podem ter certeza que muitos policiais do interior estão tirando serviço em cidades praianas, pois nela estão a grande mídia e o governo não quer passar vergonha, até com pequenos furtos.

E a Guarda Municipal? Serve apenas para gastar combustíveis, pra lá e pra cá, durante o dia, no burburinho de pessoas na cidade, horário difícil para um sequestro seguido de morte. A Guarda sempre se mostrou eficiente ao deixar duas viaturas e seis profissionais parados na frente do Fórum quando há presidiário em audiência. Isso sem contar o esquema eficiente de segurança levado a efeito para o traslado dos detentos.

Aqui uma pergunta. O que a Guarda Municipal estava fazendo no cerco policial ao investigado, em Iepê? Apenas para filmar, como alguns de seus policiais fazem em ocorrências na cidade?

Transito na cidade a partir das 6h30 e não vejo viatura da Guarda Municipal. Esporadicamente cruzo com uma da PM, pois minha casa fica perto da sede do batalhão.

Wilson Simionato saiu de casa pela manhã como sempre fez para levar a neta ao colégio. Foi devolvido à família em um caixão lacrado.

Será que a morte dele foi em vão?

 

 
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DENGUE MATA?
Escrito por Ulisses de Souza em 20/02/2020 às 09:55:36
 
Em 2006, a dengue trouxe epidemia para a região de Prudente

A dengue mata. Como qualquer doença viral também mata.

Bastou a morte de um jovem pai para que o medo se apoderasse da população acuada. No entanto, há vários meses a doença está na casa ao lado, sem que as pessoas percebam.

Entre as pessoas contaminadas e as sãs transita por elas um mosquitinho chamado aedes aegipty. Parece inofensivo, mas costuma nadar de braçadas no verão, com as chuvas. No inverno, o índice de infectados cai e todo mundo esquece.

Aliás, o esquecimento é algo inerente ao político. Por exemplo, nenhuma lição foi tirada da tragédia que vitimou pacientes da hemodiálise. Outros continuam nas estradas. Um sofrimento sem fim. Não se fala mais da desumanidade no transporte desses pacientes.

Após a morte do jovem, as redes sociais foram invadidas por cobranças de moradores.

A dengue, a chikungunya e a zika são endêmicas, sazonais, já que acontecem no período chuvoso.
Elas atingem a categoria epidêmica quando a doença se prolifera em todos os bairros de um município. É o caso de Rancharia.

Há mais de 15 anos a Dengue se instalou na região da Sorocabana. O alvo primeiro foi Prudente, que possui mídia para divulgar. Eu era o editor do jornal Oeste Notícias. Em 2006 houve uma epidemia na cidade. O maior alerta foi a morte do médico Sérgio Atala. Ninguém achava que médico pudesse contrair a doença e morrer.

Nos dois anos anteriores, Prudente havia contratado 70 pessoas para os serviços de arrastão e nebulização. Porém, isso foi desmobilizado. Na epidemia de 2006 haviam apenas sete pessoas contratadas para fazer esses serviços. Nesse ano, além de matar médico, a dengue chegou a atingir o índice assustador de 2% da população com a doença.

Se 2% da população em Prudente foi um índice assustador, como vamos classificar nossa cidade que já bateu os 3,5%?

Arrastão até a população pode ajudar. Quanto a nebulização vai faltar o veneno, já que o SUS teve um corte criminoso por parte do atual governo.

Então, cada município vai ter que se virar como pode.

Abrir vagas para nebulizadores e pessoal para arrastão. Comprar o veneno.

E o dinheiro?

Ora, saúde é investimento e não custeio. O município de Rancharia investe bem em Saúde e sabe como realocar recursos. E tem também os vereadores com suas verbas impositivas, com a obrigação de investir 50% na Saúde.

Veneno e mais funcionários na Vigilância. Será que isso dá votos?

Ou vamos esquecer tudo assim que o inverno chegar?

 


 

 
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Amigo de dois corações
Escrito por Ulisses de Souza em 26/12/2019 às 18:23:57
 

Amizade se mede e se classifica pela quantidade de recordações em comum.

Mesmo distantes, ao reencontro brotam as lembranças de momentos da vida que amigos passaram juntos.

Há pessoas que convivem mais tempo umas com as outras.

Amigos de profissão, de trabalho, de academia, de religião, de esportes, de política, de boteco, e de muitas outras coisas.

Suas vidas podem se cruzar esporadicamente, mas sempre há um elo, uma lembrança, de bons ou maus momentos.

A velhice afunila, por natureza, o rol de amigos. Muitos partem e poucos ocupam os lugares vazios.

Porém, há sempre uma história para contar.

Ulisses não é um nome comum. Foram poucos os xarás com quem convivi.

Um deles cruzou comigo em Rancharia. Por longos anos.

Ele gostava de contar quando foi confundido com meu nome na entrega de um boleto de cobrança. Naquele sorriso, que sempre lhe foi peculiar, diz ter falado ao boy da entrega.

- Se fosse meu, mesmo trabalhando 10 anos e economizando não conseguiria pagar esse boleto.

Ulisses, o meu xará, trabalhava, então, no Bradesco.

Camisa branca, com ou sem gravata, engomadinha, parece que não combinava com ele.

Cabelos encaracolados, camisa desabotoada a exibir uma bela corrente, barba, era o visual que gostava.

Nossos caminhos se cruzaram muito. No futebol, jogamos no Veteranos. Ele foi um cracão de bola. Jogou no profissional da Ranchariense. Não seguiu carreira porque preferiu a liberdade.
Lutamos juntos na política. Foi candidato a vereador na minha chapa quando disputei a prefeitura de Rancharia.

A votação pífia que teve o fazia sorrir.

- Será que perdi os amigos ou ninguém quis que eu entrasse na política, perguntava.

Não escolhia emprego até moer dedos da mão em máquina da Indústria Apsa.

Nos botecos da vida, encontrou os melhores amigos. Diariamente, à tarde, era um dos contumazes jogadores de baralho no Bar do Arlindo, na Estação.

Foi em boteco e em leréias da vida que rimos muito, de tudo.

Mas o coração cansou de bater no peito do Ulisses inquieto e acelerado.

Ele padeceu um bocado. Sempre internado até receber um coração transplantado.

Fui ao seu velório antes disso. E explico.

Como sempre acontece em Rancharia, pessoas doentes chegam a morrer várias vezes. E numa dessas cheguei a checar com uma enfermeira do hospital que me disse que o estado dele era muito grave.

Fui ao velório. Uma sala estava ocupada. Poucas pessoas. Dei uma rápida passada de olho e não reconheci amigos comuns. Aliás, não reconheci ninguém.

Entrei. Cheguei à beira do caixão. Era uma senhora idosa.

Com todo respeito, fiquei a contemplar aquela mulher desconhecida. Lembrei muito da minha saudosa mãe.

Sai, assinei o livreto de visitas e fui ao Bar do Arlindo saber onde era o velório.

- Pessoal, onde o Ulissão está sendo velado?

- Cê tá doido Di, o Ulisses tá mais forte que nós. Foi boato, disse um amigo comum.

Agora, não teve jeito. As manifestações nas redes sociais foram várias.

No dia 11 de outubro de 2018, dia do seu aniversário, quando as esperanças tinham se esvaído, recebeu como presente o coração de um jovem de 18 anos, de Brasília.

Ulisses viveu um pouco mais de um ano com o coração transplantado.

O novo órgão parou de bater ontem no peito do nosso Ulissão, aos 66 anos.

 

 
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Cadê o Papai Noel?
Escrito por Ulisses de Souza em 26/12/2019 às 08:11:44
 
Papai Noel em Natal, há 15 anos, de Rancharia

Um Papai Noel foi o destaque de um Natal longínquo ocorrido há mais de 15 anos em Rancharia.

Altivo, roupa vermelha e branca, reluzente, se posicionou sobre o coreto da Matriz.

Seu tamanho aumentava a magia que envolve as crianças.

Meus dois primeiros netos tinham idades entre 5 anos e 6 anos.

Pensei neles e em todas as crianças da cidade e visitantes. Como presidente da Associação Comercial comprei o Papai Noel, um enorme boneco inflável.

Na época, tinha em mente, como marketing de Natal, o Papai Noel gigante que um ano antes o Shopping Iguatemi, em São Paulo, postara na sua entrada principal.

As botas do “bom velhinho” eram da altura de uma criança de 12 anos.

As crianças tentavam escalar as botas para a foto. Voltei sem a imagem porque meu neto aprontou a maior choreira e a neta, tão pequena, precisaria de uma escada.

Fui à procura de um para o Natal de Rancharia. O maior que encontrei no mercado foi um inflável. Acho que o do Shopping Iguatemi, que não era inflável, fora feito por encomenda.

Meus netos cresceram e não acreditam mais na magia do Papai Noel.

Mas, hoje, com certeza, outras crianças devem acreditar na história do "bom velhinho". Apesar da Internet.

Papai Noel, em 2019, escondido e com roupas desbotadas

Passados mais de 15 anos, vejo um boneco inflável escondido entre árvores. Pelo tamanho, imaginei ser o velho boneco que comprei para a Associação Comercial.

No dia de Natal, fotografei o Papai Noel gigante e o DNA da imagem provou que era o mesmo.

Maltratado, roupa desbotada, cansado pelo inflar, mas era ele.

Ficou escondido, talvez envergonhado em aparecer ao lado da tímida decoração de Natal que a cidade recebeu.

Nem os lojistas colaboraram.

A principal avenida, a D.Pedro II, era sombria, taciturna, nas noites que antecederam o Natal.

Nem a magia do “bom velhinho” envolveu os lojistas, que preferiram economizar na conta de energia elétrica.

O marketing comercial, muito aquém da data, mostrou que a cidade padece com a falta de empregos e garantia de trabalho.

A vida segue e os sonhos se renovam.

Tomara que em 2020, o Papai Noel inflável saia de esconderijos, da sua timidez, e ganhe os holofotes de grande festa no largo da Matriz.

 

 

 
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JUVENTUDE SEM JUÍZO
Escrito por Ulisses de Souza em 02/12/2019 às 14:16:13
 

Toda vez que morre um amigo de juventude, lembramos o passado.

Afloram a rebeldia, o desafio, a desobediência, a inconsequência, a inquietude...

Sábado morreu José Augusto Lins Franco, o Pinguim, que conviveu comigo a parte mais emblemática da juventude, entre os 14 anos e os 18 anos.

Acompanhou-me nos meus primeiros porres.

Bob Marley dizia que quando jovens, “somos belos, bêbados e caretas... Sempre em bandos e às vezes em dois...”

Nem em bandos e nem em dois. Maioria das vezes, em quatro. Eu, José Augusto (Pinguim), Camilo Maffei e José Carlos Salum (Turcão), que nos deixou precocemente vítima de acidente na estrada de Santos.

O único que conseguia um veículo para zoar era o Pinguim, que emprestava ou pegava sem ordem um jeep Willys do tio Vladimir Aleksandrov.

O Pinguim era o próprio jovem acelerado, a espera da carteira de motorista, que dava tudo que o carro aguentava.

Quando Roberto Carlos engatava 120 em sua música da época, Pinguim dava 140 km/h no Simca Tufão do pai Fábio Amaral Franco, ex-diretor do I.E. D. Antônio José dos Santos. Sempre na volta do restaurante do Troncão, onde íamos comer bisteca.

No entanto, as maiores aventuras foram no jeep 3 marchas. Chegava a zunir nos 80km/h. Como não tinha muita velocidade, certa vez o Pinguim resolveu voar com o carro e foi parar no jardim da sua casa, hoje OAB.

Enfiou o danado num poste em frente à casa do Osvaldo Pardo e me deu seis pontos no couro cabeludo , costura feita pelo Dr. Ney.

Éramos frequentadores assíduos das festas da Cerveja, que proliferavam em todo o Estado.

Certa vez, voltando de uma, da cidade de Santo Anastácio, fundiu o motor do Jeep antes de chegar no entroncamento, na Raposo Tavares, por volta das 5h.

Éramos rebeldes demais. Montamos um time de futebol de salão só pra gente jogar. Chamava “Os Beatles” (o conjunto inglês, no auge da fama). Os campeonatos de futebol de salão pegavam fogo. Fizemos uma propaganda danada para a nossa estreia, um jogo amistoso contra o Perfume, o melhor time da época e de onde saíram os jogadores do “Beatles”.

Time

Não tínhamos uniforme. E numa noitada no bar do Chico Suiama tivemos a brilhante ideia de jogarmos na estreia com camisa de baile, branca, com abotoaduras e gravata tipo borboleta. A quadra era na Escola de Comércio, hoje Apae, de piso rústico. Cada queda era uma ralada na camisa de baile. Ficamos sem a camisa e com a bronca das nossas mães.

Não contentes. Eu e o Pinguim montamos “Os Beatles” para disputar o varzeano de futebol de campo. Trouxemos jogadores de João Ramalho. Vinha um time no Jeep, que chegava a voar nos morrinhos da estrada de terra.

Beatles, futebol de campo. Valdir, Paulo Choco, Pedro, Fumica, Pinguim e Di. Jair, Direceu, Afraninho, dervan, Kiko e Capinha

Afora nossa incursão do futebol (salão e de campo), nossas idas a algumas festas da cerveja nunca foram bem sucedidas. Certa vez, em Tupã, eu e o Antonio Carlos Asperti (Kiko) nos envolvemos num bate-boca e chutes. Quando vimos que estávamos em três por um, demos o sinal pré-estabelecido para o Pinguim. Ficamos evitando a briga e quando vimos Jeep na rua à nossa espera, saímos correndo e nossos algozes foram atrás e com carros mais velozes. Pinguim ferveu o Jeep e entrou com tudo num canavial. Ficamos muito tempo com as luzes apagadas, silêncio total, percebendo os carros que passavam. Quando a estrada estava acalmada, fomos embora.

Depois que o Jeep fundiu, acabou o empréstimo de carro. Foi aí que o Camilo Maffei comprou um calhambeque, Ford-29, que apelidamos de “Claudinha”, em homenagem à exuberante atriz italiana Cláudia Cardinale, cuja foto colamos na frente do carro. Certa vez, fomos com a “Claudinha” à festa da cerveja em Pirajuí-SP. Maioria do percurso em estradas de terra. Parava nos riozinhos para por água no radiador. Levamos 12 horas pra ir e 12 horas pra voltar. Nessa ousadia tivemos a companhia de Nilton Righetti, que também nos deixou precocemente, assassinado em Santos.

Na juventude, praticávamos o bulling ao arrumar apelidos para os amigos. Assim é que o Pinguim também era chamado por nós de “Pipico”, “Bóris”, “Fiotinho de Fábio”.

Na época da Jovem Guarda, estávamos no auge das nossas maluquices. Copiávamos as camisas de babados do Roberto Carlos e íamos ao Cine Santa Maria. Camisas sem golas, com nome abreviado em bordado no bolso. O meu era “UJ” e o dele “JÁ”. E foi nessa vontade de se vestir como o rei da Jovem Guarda que adquiri o hábito de usar boina, meu acessório inseparável até hoje. Comecei com a boina da linha “Calhambeque”.

O “Pipico” chegou a ter a maior discoteca de músicas italianas. Aprendi a gostar de tanto ouvir os seus “bolachões”.

Tínhamos uma frustação. Queríamos fazer serenatas, mas no nosso grupo “Petit Comité” ninguém sabia cantar ou tocar violão. Daí improvisamos. Emprestamos da banda um sax e um bombardino furado. Como toquei na Bandinha do Sizenando aos 12 anos, fiquei com o sax e tirei uma única música: Michael. Camilo ficava no Bombardino, Pinguim usava a caixa do sax como bumbo e Turcão uma lata de tinta vazia como bumbo também. E lá íamos nós, depois de uma boa cervejada, marchando pela madrugada de Rancharia e tocando apenas o Michael.

No dia seguinte, meu beiço parecia um tomate picado, e as meninas que recebiam nossa visita em suas janelas pediam pelo amor de Deus pra gente não aparecer mais, pois os pais acordavam ao som da bandinha improvisada.

Nunca fumamos (maconha) e nem cheiramos. Nosso negócio era só cerveja. Éramos “jovens, belos (a gente se achava), bêbados e caretas.., como dizia Bob Marley.

Acompanhamos o bar do Chico Suiama em todas as suas andanças. Nossas contas eram generosas, sempre marcadas em caderno pela atenta dona Maria. O Pinguim era tido como “filhinho de papai”, não trabalhava, mas eu ralava como funcionário da Brasimac para pagar minhas vontades. Chico Suiama servia um sanduíche incomparável, o quebra-galho, com queijo do Laticínios Quatá-Rancharia (do Luiz Mineiro), mortadela Sogaim (de Tupã), pão da Panificadora Santo Antônio e tomate. Inigualável.

1º casamento do Pinguim: Di é padrinho

Nas nossas noitadas etílicas fazíamos apostas e acordos. Uma das apostas nos levou a alguns meses sem conversar um com outro. Um acordo-compromisso foi de apadrinhar o casamento de cada um de nós. Cumprimos. Fui padrinho do primeiro casamento do Pinguim, com a Lúcia. Ele casou pela segunda vez com a Conceição da Rocha Velho. Ele também foi padrinho no meu casamento, com a Marília, quando eu tinha 27 anos. Aliás, vale uma informação, pois os relatos referem-se à minha idade, entre 14 anos e 18 anos. Nesse período, minha mulher vivia em sua fase pré-adolescente, de 9 anos a 13 anos. Eu é que era “rodado” e a Marília pouca coisa soube da minha “juventude transviada”.

Casamento do Di: Pinguim é padrinho

O tempo passou. Cada um tomou um rumo. Envelhecemos. Voltei para Rancharia e encontrei o Pinguim comercializando carros. Depois virou taxista. Ele parou, mas eu continuei “botecando”, coisa que sempre fiz como jornalista. Certo dia ele me deu o cartão de taxista.
- Com esse negócio do bafômetro, quando precisar me chama, disse.
Certa noite, estava de carona no Miquinha, mas resolvi testar os serviços oferecidos pelo meu amigo de juventude.
- Alô, Pipico? Pode vir me buscar no Miquinha?
- Posso. Aguarde um momento, disse.
E lá fomos nós. Quatro quarteirões. Achei que nem cobraria, mas eu iria insistir no pagamento da corrida. Chegando em casa, perguntei:
- Quanto ficou, Pipico?
- R$ 20, respondeu.
Assustado, repliquei:
- R$ 20? E a nossa amizade?
- Pela nossa amizade, cobrei R$ 10 da corrida e apenas R$ 10 por você ter me acordado, levantar e te buscar.
Esse era o Pipico.
Sabia da sua doença. Descobriu na mesma época do meu genro Fernandinho. Eles se tratavam com o mesmo médico, na mesma clínica.

Lutou, mas a doença venceu.

Mais um amigo que me deixa.

Mais uma vez visito meu passado, vivido em Rancharia.

 

 

 

 

 

 
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Réquiem para um sonho social
Escrito por Ulisses de Souza em 26/09/2019 às 07:29:46
 

O Rancharia Clube nasceu de um sonho que havia sido abortado cinco anos antes com o assassinato de João Batista Cesar de Camargo (Batista), idealizador e construtor do Clube Ouro Branco.

O prédio da sede social, hoje deteriorado pelo tempo, ocupa parte de um quarteirão que as ruas da cidade não conseguiram dividir.

Passados cinco anos dessa tragédia, Onésio Flávio, então sócio de Batista, pensou em criar outro clube a fim de abrigar as festas sociais da cidade.

Não foi fácil. Persistente, reuniu 100 pessoas em livro ouro. O dinheiro foi usado para comprar o primeiro imóvel (hoje, Baiuca).

O pontapé inicial foi dado sob a tutela de um severo estatuto, normatizado pelos cartorários Gastão de Mello Leite e Edmundo Ferreira.

Doações de terrenos ajudaram na construção da atual sede social. Família Josias Amaral doou a área do palco e família Manoel Severo Lins, o terreno no qual se construiu a entrada principal até os sanitários.

A venda de títulos proprietários permitiu a compra do terreno da atual sede social, construída e ampliada sob austeridade financeira e hercúlea fiscalização do Conselho.

Onésio Flávio foi além e imaginou o clube com um departamento esportivo. Reuniu um grupo de jovens e comprou o Caiçara, terreno dotado de uma piscina e barracão.

Os investimentos, então, fluíram ao departamento esportivo.

Cada administração fez a sua parte. Uns mais e outros menos.

A piscina não aguentou a forma econômica que fora construída. Rachou ao meio. Recuperada na minha gestão, teve que ser rebaixada e concretada. A garantia da firma especializada que fez o serviço foi de 10 anos e já se passaram mais de 20 anos.

Por isso, antes de deixar o meu terceiro mandato como presidente, encomendei, com autorização do Conselho, um projeto para o Departamento Esportivo. Devido ao calor excessivo na região, o parque aquático foi idealizado com 1.200 m2 de espelho d’água. Também havia a construção de uma sede social. Tudo integrado, a fim de facilitar a administração.

As decisões eram tão severas, que o Conselho, depois de muito debate, se conscientizou da importância da obra e decidiu que o presidente que não tocasse o projeto seria cassado. Um deles foi cassado porque construiu um quiosque que não estava no projeto. Outro fez uma placa da pedra fundamental.

Mas, nos últimos 15 anos, diretorias passaram a mandar mais que o Conselho ou a Assembleia. E deu no que deu. O projeto foi rasgado. Cuspiram no Estatuto, fizeram alterações esdrúxulas e chegaram ao absurdo de vender títulos remidos, quando a remição sempre foi proibida.

Houve até renúncia de diretoria completa.

Enfim, a história dos últimos 15 anos não é compatível com o que foi construído anteriormente.

Hoje, ninguém tem compromisso com nada. Com exceção da administração de Ludenger Fregolente, que pagou quase todas as trabalhistas, mas sucumbiu diante da falta de apoio.

Aventureiros e forasteiros se arvoraram em salvadores da pátria, sem ter o mínimo conhecimento da história do clube e a do próprio município.

Peço desculpas pela analogia.

Mas não encontro outra comparação.

O Rancharia Clube é um “Titanic”, com casco danificado e que está indo a pique.
Não há mestre dos mares que possa salvá-lo.

Ninguém me pediu, mas a minha sugestão é a de paralisar as atividades por 30 dias, fazer uma auditoria nesse período, manter os direitos de quem está em dia com a mensalidade; montar um grupo de advogados e administradores para a elaboração de um novo estatuto; e começar tudo do zero.

Novamente, com certeza, a sociedade ranchariense, se chamada, vai reerguer o símbolo social do município.
Mágicas, nesse momento, se mostram ineficazes diante dos problemas existentes.
Caso contrário, a judicialização social é o único caminho.

• Ulisses de Souza foi presidente do Rancharia Clube em três mandatos (seis anos) e diretor em dois mandatos (quatro anos). Todos antes do ano 2000.

 

 

 
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Dia do Amigo
Escrito por Ulisses de Souza em 22/07/2019 às 13:04:35
 

A mesa na calçada, à esquerda de quem sai do Bar da Ana (Miquinha), tinha dono a partir das 18h.

Ele chegava na sua bicicleta, sempre pontual. Em casa, minha mulher invocava: “chega 18h ele (eu) fica aflito pra ir pro boteco”, dizia.

Sim, eu não queria perder minutos de conversa agradável, ao som de músicas sertanejas, que saiam de um celular antiquado.

Assim fomos vitrine na calçada por muito tempo.

São-paulino roxo. Eu, corintiano. Mas, mesmo assim, nossas sisudas paixões esportivas fluíam sem que houvesse qualquer ressentimento.
Política? Vez ou outra ele me provocava.

Católico fervoroso, não perdia missa aos domingos e quando chegava ao bar, todo de branco, dizia que eu deveria voltar a frequentar a igreja.

Dizem que em boteco não se discute religião, futebol e política.

Mas, éramos diferentes.

Era demais apegado às filhas e às netas. Pai e avô exemplar.

Era sincero, até demais.

Certo dia me confidenciou que precisava ir ao médico, pois sentia pequena dor na região do pescoço.

Foi aí que começou seu calvário, com um câncer diagnosticado.

A doença o tirou daquela mesa, que ficou vazia. Outras pessoas passaram a ocupá-la às 18h.

Eu sentia muita falta dos nossos bate-papos.

Éramos os recordistas na cerveja. Só na cerveja.

Um pequeno problema no fígado me deixou também sem a cerveja.

A última vez que conversei com ele, estava debilitado. A robustez de quem foi o zagueirão da cidade tinha desaparecido.

A voz rouca e até inaudível, me fez aproximar de seu ouvido:

- Amigo, vou esperar você arribar e venho te buscar com um táxi e nós dois vamos tomar um porre de cerveja em um boteco bem reservado. Vamos ligar o foda-se”, disse.

Na hora de ir embora, ele me olhou e perguntou:

- Esse negócio do foda-se é sério?

Eu disse que sim. Ele sorriu e ergueu o polegar.

Não deu tempo de a gente ligar nada. A doença venceu.

Hoje, 20 de julho, é Dia do Amigo.

Não era isso que gostaria de escrever nessa data.

Nesse dia, meu amigo Quinzão nos deixou.


 

 
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Frio e quente
Escrito por Ulisses de Souza em 15/07/2019 às 13:24:55
 

O ranchariense que assistiu o Fronteira Notícias (FN)-2ª edição, do dia 11 de julho, deve ter ficado sem entender.

Em reportagem sobre o clima, a TV classificou o município de Rancharia entre os quatro com temperaturas mais frias no Estado; e também entre os quatro com temperatura mais quente. Isso num mesmo dia.

Foi o único a entrar nas duas listas (quente/frio) entre 650 municípios, segundo o IBGE.

A reportagem do site UNIOL foi conferir. Por 0,02Cº, o município ficou em 4º lugar no frio. Merecia 2º, atrás de Campos de Jordão.

Os dados, na verdade, estão corretos e foram fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Ministério da Agricultura, que possui uma estação às margens do rio Capivari.

Já classifiquei Rancharia como meia-boca (leia artigo anterior), mas essa nova situação geram dúvidas. Seria agora uma cidade-polivalente; multifuncional; versátil; flex?

Conheço estórias populares, que narram que de dia é um e à noite é outra. Mas nunca soube nada que de manhã é uma coisa e à tarde é outra.

No frio e no quente, somos notícias na mídia nacional e até nacional. Como, então, vamos aproveitar isso para gerar emprego e renda?

Lá vem o primeiro empecilho: nas listas estaduais dos melhores locais para ir durante o inverno e durante o verão, Rancharia se esconde e não aparece.

Por quê?

Ora, porque não tem estrutura para receber turistas nas duas estações. Não pode ser candidata à Estação de Inverno, porque não possui restaurantes com lareiras e que ofereçam, por exemplo, um bom fondue ou sopas. Não possui lojas que ofereçam bons artigos de inverno e acessórios. Não possui hotéis com lareiras. Não possui chocaleterias. Não possui bistrôs e pubs. Até o bom Festival de Inverno, do ex-secretário Marcos Barbosa, foi deletado pela atual administração. Então? Frio? Sofá, manta e Globo. É o que temos para quem mora aqui, e só!

Bom, e o verão, que nos torra a cabeça?

Calor é praia. Fora disso, tem que ter muito atração, e oferecemos apenas um balneário meia-boca, que nem sanitários condizentes oferece ao turista. Sequer há árvores na cidade para fugir do sol escaldante.

O governo de São Paulo indica cidades do Interior para quem enfrentar o calor e não pretende enfrentar praias, cada vez mais cheias e poluídas. E Rancharia, não aparece na lista.

No entanto, nas mínimas e máximas do clima, estamos em qualquer ranking.

Vamos nos contentar com a cidade, sempre meia-boca, pois não conseguimos sequer manter clubes de entretenimentos, com piscinas em boas condições. Como, então, receber turistas?

Por certo, diante desse quadro, quem quer montar “um negócio” na cidade vai ficar em dúvida?

O melhor, na minha modesta opinião, é sorveteria, pois vende sorvete até no inverno (naquelas tardes de 28ºC m no inverno, comuns aqui, que as águas são geladas, mas as pessoas usam camisas sem mangas).

Vamos pensar num slogan para divulgar a cidade.

Que tal?

Rancharia, cidade-versátil, que serve sorvete até no inverno rigoroso.

 
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Cidade meia-boca
Escrito por Ulisses de Souza em 10/07/2019 às 10:14:37
 

Acordar e levantar da cama em um feriado friorento, sem saber se é feriado, é o que podemos chamar de dia meia-boca. E isso aconteceu ontem, 9 de julho.

O feriado é estadual e comemora a Revolução Constitucionalista de 1932.

A Prefeitura seguiu o calendário e decretou a paralisação dos serviços públicos em Rancharia.

A Associação Comercial e Industrial da cidade, no entanto, orientou seus associados para que abrissem as portas.

Como a cidade é meia-boca na área de comunicação, a população ficou mais perdida que pessoa careta em festa rave. Ninguém sabia o que encontraria aberto.

Fui na onda. Acordei, ainda escuro, e percebi que não havia energia elétrica. Fui à padaria, que também estava às escuras. Mas o semáforo das avenidas funcionava.

A Energisa, que também não comunica nada a ninguém, se sente no direito de apagar as luzes e neutralizar tomadas a torto e a direito. É a maior meia-bocona da cidade. Faz tudo pela metade e exige a contrapartida no vencimento.

A energia voltou em alguns bairros quase na hora do almoço.

Fui conferir, como jornalista, como a cidade se comportava em funcionar meia-boca e sem energia.

Logo na avenida D. Pedro II, entre os quarteirões da rua Dona Rosa Miguel e Padre Paulo, as lojas estavam todas abertas, mas o Zuza Lotérica estava fechado. Isto no dia de sorteios de seis loterias, inclusive mega-sena de R$ 6 milhões.

Bancos fechados. Talvez seja esta a razão da loteca não abrir. Ficaria na mira de bandidos, ainda mais com a polícia meia-boca do município (meia-boca em quantidade de policiais, bem entendido. Culpa do Dória)

Na Baixada, a lotérica do Vitor estava aberta. Fechou após o almoço. Também fez o serviço pela metade.

Antes de concluir esse texto meia-boca, vamos tentar entender, o que é comemorado no dia 9 de julho?

Foi uma revolução que a elite paulistana inventou contra o governo federal, então administrado a mãos de ferro por Getulio Vargas. Quatro estudantes morreram em uma manifestação. A elite paulistana declarou guerra em julho e seus soldados foram massacrados e se renderam em outubro. Comemorar uma derrota? Coisa da elite paulistana (barões do café, comerciantes, banqueiros e industriais). Bucha de canhão foi o povo que se alistou e ainda deu ouro para a revolução. Ouro este solicitado e administrado pela Associação Comercial.

Então, a Associação Comercial também tem culpa pela derrota? Mas a de Rancharia não quis saber e não comemorou a derrota. Mandou abrir o comércio.

Os capacetes dos revolucionários paulistas foram feitos de aço por encomenda da Associação Comercial. Os primeiros no país. Quem não morreu ficou com o dele. O ex-prefeito Mané Facão achou o de um combatente de Ajicê e tombou o dito cujo. Rancharia tem tantos prédios antigos para tombar (como o Yandara Hotel) e Mané, tal qual coroné do sertão, tirou a oportunidade do ex-combatente vendê-lo. No Mercado Livre, o modelo anunciado como original vale R$ 1,5 mil.

Mas, por anda esse capacete na cidade meia-boca, que não tem museu?

Aliás, encrenca por feriado é tradição em Rancharia, Recentemente, foi um desentendimento daqueles entre a Prefeitura, Igreja Católica e Associação Comercial por causa do feriado de 8 de dezembro, que comemora a Imaculada Conceição de Nossa Senhora (rainha de todos os santos).

Esse feriado não é nacional, mas sim estadual ou municipal.

Rancharia sempre comemorou esse feriado, mas um prefeito evangélico o retirou. Daí foi aquela meia-boca. Os comerciantes católicos não abriram. Ninguém se entendeu. Padre Josafá excomungou muita gente. Pode ter sido pior que o 9 de julho, de ontem.

Ao sair às ruas, ontem, conferi: salões de beleza, oficinas, barbearias, bancas de jornais, alguns botecos, etc. A maioria fechada.

Os dois Supermercados Dois Irmãos abriram pela manhã e fecharam após o almoço (o tal do meio expediente, em cima do muro).

O Avenida abriu, mas como sempre, com atendimento meia-boca. Fui lá comprar o queijo muçarela (em promoção) porque o Laticínios também estava meia-boca. Funcionou a indústria e fechou a área comercial.
Uma muçarela do Avenida estava sendo anunciada a R$ 18,90 o quilo. Na praça, o produto está por volta de R$ 26,00.
- Moça, quero um quilo dessa muçarela em promoção.
- A da promoção acabou. Tem essas daqui (todas a R$ 26,00), respondeu a funcionária.
- E isso daqui? É propaganda enganosa? Perguntei exibindo o folheto de promoções.
- Ô fulana, tem essa muçarela lá dentro?
E lá veio o meu quilo de muçarela.
É ou não é meia-boca, anunciar um produto e informar que não tem?

Por volta das 14h, mais um apagão. Sem ter o que fazer (uso wifi e não quis fazer ligação direta), sai pra rua e fui conferir o quarteirão que estava aberto. Tudo fechado. Mas no quarteirão vizinho, entre a avenida Pedro de Toledo e a Expedicionários Brasileiros, as lojas estavam todas abertas. Fiquei sem entender. Seria inveja do intenso (sic) movimento da manhã?

Desta vez, a meia-bocona (Energisa) foi mais longe. Ligou a rede quase ao anoitecer. Muitas geladeiras iniciaram o degelo, com certeza.

A meia-boca está de tal maneira impregnada no município, que até o tradicional Rancharia Clube só funciona a sede esportiva. Mas, já virou metade de meia-boca, pois a Baiúca foi arrendada.

O frio, quando saí para comprar pão, às 7h, marcava 2,2ºC. Tava até com gorro de corintiano, aquele que não encobre apenas os olhos. Mas, quando saí à tarde, já estava com camisa de manga curta, pois às 15h, já nas ruas, a temperatura subiu para 26,8ºC.

Até o frio ficou meia-boca neste 9 de julho.

Fiquei a pensar cá com meus botões.

Será que um dia as autoridades vão raciocinar e Rancharia deixará de ser meia-boca?

 

 
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Porque sou a favor do pedágio
Escrito por Ulisses de Souza em 19/05/2019 às 19:49:21
 

O título do meu artigo não é provocação. Desta vez, entro na polêmica contra a maioria que não quer essa obra na SP-284, a estrada mais utilizada pelos rancharienses.

E explico as razões, mesmo que não concordem comigo.

A SP-284 é minha velha conhecida, desde os tempos de juventude, quando era de terra e a gente ousava enfrentá-la em dias de chuva para paquerar ou namorar em cidades vizinhas.

Chegar em casa enlameado era comum, pois a terra dela era mais forte que os carros.

Chegou o asfalto, o progresso, e com eles um perigo para a vida.

Aos poucos seu movimento foi aumentando até que há oito anos, em 2011, o governo resolve pedagiar a Raposo Tavares.

As fugas de carretas, a estrada ruim, sem acostamento, trouxeram a sinistra estatística de mortes, até então desconhecida na região.

Acidentes se multiplicaram. Vidas foram ceifadas. Jovens rancharienses perderam a vida estupidamente, como os estudantes Francielle e Marcelo.

Chegou, então, a hora de lutar pela vida. E isso fizemos, bloqueando por três vezes a rodovia. A reivindicação era “fora carretas”, “melhoria da estrada” e até “pedágio”.

A luta pela vida era mais importante.

O governo se incomodou. Fui responsabilizado em inquérito policial de ser o organizador dos protestos. Isso porque, como editor do jornal Oeste Notícias, membros do governo, policiais, diretoria do DER, todos me conheciam e me identificaram em fotos e entrevistas feitas durante as manifestações.

Não contente, o DER enviou-me um boleto para pagar os estragos causados na estrada pelos protestos. Meu nome foi ao Cadin Estadual, pois não paguei. Depois retiraram.

A partir daí individualizei a briga e a trouxe pra mim.

Questionei na Justiça o valor superfaturado nas obras e o governo reduziu em mais de R$ 20 milhões o custo da recuperação da estrada no trecho entre Quatá e Martinópolis.

Hoje, depois de cinco anos, o asfalto se deteriorou. Buracos, desníveis, remendos mal feitos colocam novamente em risco a vida de usuários.

O trânsito pesado foi o maior causador dos danos.

Quinhentas carretas de 6 a 9 eixos passam por dia no trecho do município de Rancharia. Atentem para esse número, pois nele não estão incluídos caminhões de 4 e 5 eixos, vans, ônibus, carros, etc.

Pois bem, novamente, estamos numa encruzilhada: lutar pela vida com o aumento da segurança na estrada ou adotar e aumentar o grito de “fora pedágio”.

Nunca concordei com o governo do PSDB. Sou contumaz crítico desse tipo de privatização, e ele sempre se mostrou incapaz de administrar estradas e dotá-las de segurança sem colocar pedágio para que os usuários arquem com o custo de sua incompetência.

Mas, temos uma realidade, sem volta.

Ninguém vai retirar os pedágios da Raposo Tavares.

Eles transferem anualmente mais de R$ 1 milhão aos cofres da Prefeitura de Rancharia.

A justificativa dos “fora pedágios” é aumento nas despesas de viagem. Para os caminhoneiros, redução da sobra de viagens. Tudo muito justo.

Agora, vamos analisar o que vem com o pedágio.

A estrada será duplicada. Com certeza o número de acidentes vai diminuir. Aqui a poupança é a vida e não o dinheiro.

Um exemplo: mais de 500 estudantes viajam diariamente, de segunda a sábado, às faculdades da região. Correm risco de vida todas as noites. Com a estrada duplicada isso vai reduzir, e muito.

Mas, se você perguntar a um estudante desses, com certeza vai dizer “contra”, pois pensa em imediato no aumento no custo da viagem, que paga com tanto sacrifício.

No caso da viagem dos estudantes, a Artesp, que toca o projeto, abriu a possibilidade de implantar em cada pedágio, tarifas diferenciais. É só reivindicar.

A estrada, de Assis a Presidente Prudente, será dotada de wi-fi. Com isso, quem precisa de socorro e parou em local sem acesso à celular vai poder solicitar o atendimento com rapidez pelo watsap.

O governo promete uma estrada com padrão internacional de segurança.

Com o pedágio, a prefeitura de Rancharia vai ficar com cerca de R$ 1 milhão por ano, pelo repasse do INSS. Esse dinheiro não é carimbado e pode ser gasto em qualquer área.

A sociedade civil, movido pelo ímpeto “maria vai com as outras”, precisa refletir, ao invés de ficar nas redes sociais fazendo média demagógica contra o pedágio.

Deveria formar uma comissão, sem políticos, com pessoas da cidade para negociar problemas pontuais, como desconto ou isenção para ônibus dos estudantes; tarifa reduzida para fins de semana; isenção para ambulâncias e transporte de doentes; tarifa especial para veículos que transportam diariamente mercadorias do Ceasa; aplicação do recurso do ISS em áreas da saúde e educação com decisões pré-acertadas, como por exemplo, compra de equipamento de ar condicionado para todas as creches e escolas municipais.

E, por aí vai.

Podem discordar do meu ponto de vista, à vontade, mas não abro mão de lutar pela vida, sempre.
 

 
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PITACOS DO DIZÃO
Escrito por Ulisses de Souza em 09/05/2019 às 22:06:33
 

ESTREITAS DEMAIS

O vai e vem na rua Duque de Caxias, no quarteirão do Posto de Saúde

Há ruas em Rancharia que merecem ter mão única. São mais apertadas que cinto na barriga do Faustão.

Os motoristas precisam pedir licença para passar. No vai e vem, um tem que encostar. Vale ressaltar que, além do aperto, os carros podem estacionar nos dois lados da rua.

Caso o Departamento de Trânsito entenda que está legal, a coluna PITACOS sugere implantar o “Pare e Siga”, como acontece em obras nas estradas.

Um exemplo é a rua Duque de Caxias.

Nela, há dois pontos de estrangulamentos. No quarteirão do Supermercado Dois Irmãos e no quarteirão do Posto de Saúde.

 

TESTE DE MEMÓRIA

Os internautas pedem a todo o momento que os vereadores se manifestem em postagens que fazem sobre os problemas do município de Rancharia.

Quando decidem colocar os nomes dos edis, apenas alguns são lembrados.

Aliás, você sabe quem são os vereadores de Rancharia? Em quem você votou na última eleição?

Já esqueceu?

 

BIRUTA URBANA

Placas trocadas

As placas com nomes de ruas viram a cada vendaval mais que biruta de aeroporto. Ou quem as colocaram errou o lado.

Exemplo é uma localizada na avenida Comendador Pedro Ferreira Doninho.

Na travessa com a rua Fioravante Asperti, as placas estão trocadas.

 

PRÊMIO URBANO
O articulista de O FATO, Orlando Pascotto, tocou na ferida em artigo publicado na última edição do jornal.

Estacionamento na quadra do Santander

Ele defende a implantação da zona azul em quarteirões do centro da cidade.

Quem, por exemplo, conseguir estacionar seu carro no quarteirão dos bancos do Brasil e Santander e imediações deveria receber um prêmio.

Por volta das 8h o quarteirão já está tomado e os mesmos carros permanecem quase o dia todo estacionados no local.

Além de resolver o problema de estacionamento, com certeza vai entrar alguns minguados reais nos cofres da Prefeitura.


 

 
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OI nois aqui traveis!
Escrito por Ulisses de Souza em 30/04/2019 às 15:15:51
 
No João No João Porquinho, o jornalista fechava edições do jornal OESTE NOTICIAS, online

Mais uma vez cito letra do mestre Adoniram Barbosa para registrar a minha volta ao mundo dos vivos.

Não vá pensar que estive a passear no disco voador que costuma aterrissar em noites estreladas no Bar do Wagner. Não.

Flutuei no “mezza vita”, na UTI do hospital, com suspeita de infarto (seria o terceiro na coleção).

Dizem que fiquei com mais um na coletânea cardiológica, mas tenho minhas dúvidas (e quem sou eu para duvidar?).

Apesar da alteração de humor das enzimas e das arritmias, o velho coração, de muitas badaladas, resistiu, e como resistiu.

Nesse período, a cidade provinciana fez sua parte, com a informação boca a boca. Aprendi no primeiro ano do curso de jornalismo que uma informação chega totalmente alterada depois de passar e ser retransmitida por pessoas de uma pequena cidade.

O primeiro solta no boteco: “O Di não passou bem”. O segundo repassa, mas enfia alguma coisa a mais: “Soube que está na UTI”. O terceiro ou os terceiros repassam: “Está na UTI, muito ruim”. Daí vai, cada um a seu modo. Os amigos lamentam e tentam minimizar. Os adversários, naquela alegria recôndita: “Coitado, parece que foi pra Prudente e vai fazer três cirurgias”.

E lá vai a comunicação terrestre, que ainda existe, apesar das redes sociais. O problema é que na rede social fica gravado e um “chute na canela”, daqueles errados, vira um quiproquó danado.

Por fim, virei um defuntão, o que teve que ser desmentido pela minha família.

Não é a primeira vez e nem vai ser a última.

Mas, novamente, levantei a carcaça, sacudi a poeira e dei a volta por cima.

Porém, e sempre existe um porém (como dizia meu amigo Plinio Marcos), pularam do coração para o meu fígado e acabaram por truncar minha carreira de botequeiro.

Vieram as lembranças. Ainda imberbe, funcionário do Banespa em São Paulo, trabalhava no período noturno e saia por volta das 2h. Íamos todas madrugadas, eu meus colegas, no único boteco que se arriscava em ficar aberto na Praça da Sé, onde hoje é o Metrô.

Na Folha de S.Paulo, saia todas as noites e batia ponto no “Sujinho” da Barão de Limeira, com a maioria dos jornalistas da redação. Aliás, jornalista, sempre gostou de boteco.

Depois de quase dez anos, voltei a Rancharia e fui trabalhar em Prudente. Firmei-me no João Porquinho, um início em casa velha, onde três mesas ficavam na varanda. Ali foi o meu esplendor botequeiro ao ver o meu amigo com seu boteco, crescer, crescer, sem alterar o jeitão de boemia.

No João Porquinho, escreveu até livro

Aliás, não se deve confundir botequeiro com cachaceiro. Sempre tomei cerveja, nada de destilado.

Pois bem, em Rancharia finquei pé no Bar do Caio quando era um boteco apertado sem lugar para sentar. Fui para o Miquinha, onde estou até hoje; e passei a frequentar também o Bar do Wagner.

Quem quer me achar em Rancharia é só passar nesses dois botecos, a partir das 19h, diariamente, de segunda a sexta.

Pois bem, fiz esse preâmbulo para explicar que a última chegada perto DELE sobrou algo que sempre imaginei que um dia aconteceria:

“Pai, o senhor não pode mais tomar cerveja para o resto da vida”, disse minha filha médica. Achei que era sacanagem e fui confirmar com o especialista e ele completou “nem aniversário, nem natal e nem ano novo”.

Não vá pensar você, que leu até aqui, que estou com cirrose, hepatite e problema no pâncreas.

Nada disso, fui diagnosticado como “hepatopatia alcoólica crônica”.

Apesar das explicações da minha filha médica que sempre fez de tudo para tirar a boa cerva da minha mesa, fiquei com um pé atrás.

Fui ao Google, em trabalhos científicos, e vi que esse treco pode ser medicamentoso, um monte de coisas, e também alcóolico.

O que aconteceu é que um pequeno e restrito pedaço do fígado se apresenta com fibrose. Por isso, é crônico, pois é irrecuperável. Se tomar o fígado inteiro vai para cirrose, paralisação do órgão, etc. etc.

Não corro nenhum, mas nenhum perigo de vida; mas terei que largar aquela geladinha.

Nem dieta me deram.

Mas, como bom botequeiro, estarei nos mesmos locais, com a minha água e lá de vez em quando com refrigerante, gelo e limão. Cerveja sem álcool, nem prensar. Nem gelada é boa.

Agora penso seriamente em montar um boteco e oferecer as comidas que aprendi a fazer com meu amigo João Porquinho.

Quem sabe não foi esse o recado DELE desta vez. Continue no boteco, mas de uma maneira mais rentável.

Vida anda. Vida segue.

E ó nois aqui traveis.

 

 
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Sou Francisco. E você?
Escrito por Ulisses de Souza em 20/04/2019 às 11:27:11
 

A Igreja Católica vai decidir no próximo mês de maio, se fica enrustida dentro do templo, comandada pelos padres, ou se enxerga a desigualdade social e passe a lutar de forma mais constante no combate à pobreza.

Rancharia sempre se mostrou conservadora. O entorno dos padres é formado por pessoas que preferem seguir as normas espirituais e, raras vezes, a caridade. A Igreja Católica não tem vida na sociedade.

Padres que tentaram pregar uma igreja progressista foram enxotados da cidade até por abaixo assinados, como aconteceu com o padre João, que tentou ampliar as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e Pastorais.

Como o padre Antonio, da Pastoral da Terra, que atuou na origem dos dois assentamentos do município: Nova Conquista e São Pedro. Criou a Rádio Comunitária, hoje desgovernada, nem católica, nem evangélica.

No abre deste artigo escrevi que o caminho virá em maio. Durante a realização da 57ª Assembleia-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quando a entidade vai renovar sua diretoria. A imprensa especializada destaca duas frentes na disputa depois de muitos anos: uma conservadora e outra progressista.

A conservadora, o chamado núcleo duro, aproveita a onda de ódio do governo Bolsonaro em temas, como aborto, homoafetividade e “família” para acender certa ala da igreja, incomodada com os pronunciamentos do Papa Francisco sobre o assunto. Tem como seu defensor o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, citado em delação de Sergio Cabral, ex-governador do Rio, e que manifestou apoio à candidatura Bolsonaro ao visitá-lo durante as eleições.

Segundo a mídia católica, a ala progressista seria integrada pelo bispo gaúcho Jaime Spengler, fiel ao Papa, e por Dom Joaquim Giovanni Mol, reitor da PUC-MG e cuja atuação é reconhecidamente progressista.

O que está em jogo, então? Na certeza, o futuro do papado de Francisco e o fim das CEBs e das Pastorais, principalmente a da Terra, Cáritas (organização humanitária dirigida pelo Vaticano) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

No Cimi, reside o maior problema pois a Igreja realiza em outubro deste ano, o Sínodo da Amazônia, convocada pelo Papa Francisco. Será no estado do Amazonas e a fase final no Vaticano.

Aliás, a realização do Sínodo da Amazônia já movimentou os generais do governo, porque bispos-membros já se manifestaram publicamente contra a reforma da Previdência, a possível exploração de minério em terras indígenas e a violência policial. O governo vem acompanhando pela Abim todos os passos da organização e dos organizadores do Sínodo. Isso é ruim.

Por vários outros problemas, o futuro da CNBB é colocado como dos mais importantes para a continuidade do papado de Franciso, já que é a maior Conferência Episcopal do mundo. São 480 bispos, dos quais 307 formam o corpo ativo da entidade. Vale ressaltar que o Brasil possui o maior número de fieis do planeta, com 123 milhões de brasileiros.

O Papa Francisco, formado pela teologia do povo, tenta com muita dificuldade aproximar a Igreja Católica dos mais pobres e vulneráveis. É, nesse mundo de ódio e atrocidades, o estadista mais respeitado, a voz mais ouvida por quem não a tem.

Francisco não é unanimidade dentro da Igreja Católica, a quem defende como instituição e tem sido o único papa a encarar de frente a questão da pedofilia.

Mas, os fieis de Rancharia, haverão de perguntar. E eu com isso?

Muitos irão responder: nada.

A igreja tem que evangelizar, como todas as outras fazem, mas a milenar sempre esteve ao lado, bom ou ruim, da sociedade, na implementação de políticas públicas.

O bispado de Assis tem um voto na CNBB e este voto deveria seguir a vontade da maioria dos católicos da região.

Você, católico de Rancharia, sabe o nome do bispo de Assis e o que ele pensa sobre esse momento importante da Igreja Católica?

O papa Paulo VI disse certa vez: “Cristo aponta para a Amazônia” e o papa Francisco vai tornar isso uma realidade.

O sínodo não representa um movimento político, como faz crer o governo. Papa Francisco assim o define: “o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”.

Sou Francisco. E você?

 

 
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João Dória: o mentiroso
Escrito por Ulisses de Souza em 02/04/2019 às 09:41:54
 
Ri dos bobos

Tinha que ser no dia 1º de abril, quando um país descrente não o comemora mais como sendo o da “mentira”, diante de tantas notícias falsas implantadas a partir de um inepto governo federal.

O governador de São Paulo convoca a imprensa e, na maior cara de pau, anuncia que não vai mais acabar com os 150 polos do Projeto Guri, medida alardeada e confirmada na semana passada. Os professores haviam recebido até os avisos prévios.

A mentira dele, nesse 1º de abril, foi a dada pelo secretário da Cultura na coletiva, segundo a qual o que houve foi uma precipitação das organizações sociais que controlam o projeto em demitir funcionários e professores.

Esse recuo, na verdade, se deveu pela mobilização dos jovens que seriam atingidos, da comunidade que protestaram em redes sociais e nas ruas de algumas cidades atingidas. Há até quem, de forma oportunista, tenta vincular nomes de prefeitos e deputados que teriam pressionado o governador.

Ora, isso não passa de uma jogada infame em tirar proveito sobre algo que não fizeram.

Em Rancharia, 8.510 eleitores, mais da metade do colégio eleitoral, ajudaram a eleger esse tropo midiático. Mais de 300 crianças da cidade seriam penalizadas com o fim do Projeto Guri. Manifestações foram individuais e nas redes sociais.

Faltaram aqueles que na eleição, por qualquer motivo, saiam às ruas em buzinaço, camisas verdes e amarelas e acabaram ajudando a eleger a pior escória política que se tem notícia em toda história do Brasil. Seja a nível estadual ou federal.

Cadê os eleitores desses mentirosos?

Eles são a própria mentira.

E assim conseguiram também acabar com o “Dia da Mentira”. Mas ainda restam para o 1º de abril as pechas de “Dia dos tolos”, “Dia da gafe” e “Dia dos bobos”

 

 
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O pequeno Arthur
Escrito por Ulisses de Souza em 01/03/2019 às 21:01:13
 

Há uma frase que diz: “netos são filhos em dobro”. Outra diz: “netos são filhos, mas com um toque doce”.

Sou avô. Tenho cinco netos, de idades entre 5 anos e 19 anos.

Por mais que eu queira avaliar, não imagino a dor de perder um neto, ainda mais com 7 anos.

Dizem os psicólogos que nessa idade “a criança já desenvolve o sentido ético, ou seja, já consegue distinguir entre o bem o mal”.

Arthur Lula da Silva perdeu o seu tablet com 6 anos, quando a polícia invadiu sua casa a mando do juiz Sérgio Moro. Esse aparelho não foi devolvido.

Arthur foi visitar o avô duas vezes na prisão da PF em Curitiba. Por certo, deve ter perguntado: vô, não vão devolver o meu tablet?

Arthur não via o avô e, mas, por certo, sabia o mal que fizeram com ele.

Lula não via o neto querido.

Vão se encontrar agora num quadro de luto inaceitável, desses que a vida prega a muitos.

Porém, ainda há seres ignóbeis, psicopatas, sórdidos, ralés do lixo humano que, em atitude totalmente desumana, por problemas políticos, comemoraram em redes sociais a morte do pequeno Arthur.

Um ódio que já não cega mais. Eles não enxergam, mas faz com que pessoas saiam de sua condição de humanos e ajam da forma mais animalesca, sem qualquer tirocínio para fazer funcionar um cérebro capaz de manter um corpo inútil dentro da normalidade humana.

Infelizmente, a morte do pequeno Arthur reaviveu as mentes deformadas, mas a sabedoria Divina vai diminuir a dor de uma família, que tantas atrocidades recebeu da sociedade brasileira.

Que a dor da família Lula, pela morte do pequeno Arthur, não seja em vão, e que brasileiros de bem saibam reagir a esse momento tão cruel, no qual a morte de uma criança de 7 anos é transformada em ódio, que cada vez mais dividirá a tão frágil democracia brasileira.

Arthur, você já está com Deus.

 

 
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Filhos ilustres
Escrito por Ulisses de Souza em 22/02/2019 às 11:48:09
 

Rancharia é uma cidade atípica, que nunca soube e nem teve sensibilidade política de homenagear e enaltecer seus filhos ilustres.

Ao contrário, faz “politicagem” ao agraciar forasteiros com títulos honoríficos e nomes de ruas. Pastores que por aqui passaram, juízes, promotores, políticos que nunca puseram os pés na cidade, e por aí afora, são lembrados até como “cidadãos rancharienses”.

Um exemplo dessa dissimilitude é o do lendário Padre João, que tem o nome na placa de uma rua de apenas duas quadras, enquanto pessoas que só os parentes sabem quem foram, ostentam o nome em avenidas de mais de quilômetro. 

Administração sai, administração entra e ninguém se atreve a tocar o dedo nessa irrecuperável falta de memória. Há políticos que deram, em vida, o próprio nome a patrimônios públicos, quando isso é proibido por lei.

Homenagear filhos ilustres não é dar os nomes deles a ruas e prédios públicos, mas sim, ter orgulho, de mostrar ao país e ao mundo os rancharienses que se destacaram em várias setores. É o caso de ter um museu para reunir os acervos, áudios, imagens, discografia dessa turma da terrinha, e que não é pequena.

Vejamos.

No futebol, tivemos Polaco (Palmeiras e Corinthians), Suíngue (Palmeiras, Corinthians, Fluminense e Vasco); Boni (São Paulo e seleção brasileira sub-20); Paulinho (Internacional de Porto Alegre).
Na música: Dino Franco (com uma discografia de mais de 1.200 músicas, que a família quer que fique em Rancharia, apesar da insistência de outros municípios em leva-la embora); Dinho Leme (baterista de Os Mutantes, irmão de Reginaldo Leme)

No jornalismo: Ferreira Martins (apresentar da Globo e Band); Orlando Duarte (escritor, comentarista da Jovem Pan, Gazeta Esportiva, TV Cultura, Estadão); Reginaldo Leme (comentarista de F-1 da TV Globo).

Na política: Francisco Franco (deputado estadual e presidente da Assembleia): Péricles Rolim (deputado estadual); Mané Facão (deputado estadual); e até Abreu Sodré (governador e ministro, que frequentava sempre sua fazenda no município).

E vai por aí afora.

Rancharia deve muito a esses filhos ilustres, que sempre a enalteceram em suas carreiras vitoriosas.

Orlando Duarte

Hoje, o site UNIOL traz a reportagem de um ranchariense ilustre, acometido por mal de Alzheimer. A luta diária contra a doença foi relatada pela esposa e repercutida em toda imprensa esportiva nacional. Orlando Duarte nasceu em Rancharia. Cobriu 14 Copas do Mundo, 10 Olimpíadas e escreveu 34 livros.

Provavelmente, em seus raros momentos de lucidez, não vai se lembrar da terra onde nasceu, tem parentes e amigos. Mas, Rancharia tem por obrigação não esquecê-lo.
 

 
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Morte e ódio
Escrito por Ulisses de Souza em 12/02/2019 às 11:00:32
 

A morte de Ricardo Boechat deixa um vácuo no pouco que sobrou do jornalismo ético no país. Ele era único na forma de comentar os fatos do dia. Humor e indignação se misturavam. Foi unanimidade? Não foi, pois em redes sociais, seguidores do pastor Silas Malafaia comemoraram a morte do jornalista. Afirmam que foi o preço que o profissional pagou por ter desafiado o “ungido” por Deus.
Houve até um empresário, desse da classe média remediada, que postou que no helicóptero acidentado poderia estar também a jornalista da Folha, Mônica Bergamo.
Ódio deslavado, vergonhoso, mostra a que chegamos. Uma sociedade hipócrita que até nas dores de pessoas e famílias insistem num rancor desproporcional ao despejar nas redes sociais seus vômitos nojentos de intolerância.
Apesar de tudo isso, Ricardo Boechat vive e viverá sempre na lembrança daqueles que lutaram por um Brasil melhor.

 

 
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“Ói nois aqui traveis”
Escrito por Ulisses de Souza em 11/02/2019 às 20:50:03
 

Parodiando o mestre paulista de todos os sambas, Adoniram Barbosa, meu blog, neste recomeço, tem que usar alguns versos da música “Ói nois aqui traveis”:
Voceis pensam que nois fumos embora/Nois enganemos voceis/Fingimos que fumos e vortemos/Ói nois aqui traveis
O Portal Uniol retorna com o mesmo projeto gráfico que o destacou na região há quase uma década.
Sumiu do ar por problemas vários, inerentes a toda carreira jornalística.
Mas, o que interessa é que voltamos.
O meu blog será atualizado diariamente, com comentários sobre assuntos do dia, local ou nacional.
Ele permite que as pessoas interajam com comentários.
Façam isso!
 

 
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