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SAÚDE REGIONAL EM COLAPSO
Escrito por Ulisses de Souza em 28/07/2020 às 19:11:15
 

Os leitos UTI-SUS e os leitos clínicos-SUS do Hospital Regional (HR) de Presidente Prudente estão todos ocupados.

É a notícia do dia de hoje (28), infelizmente. No entanto, prevista desde março, início da pandemia.

Os novos pacientes começam a aguardar vagas nas UPAs de Presidente Prudente, segundo afirmou à TV Fronteira o secretário municipal de Saúde desse município.

É bom ninguém esquecer que o HR é referência do SUS para 45 municípios do Departamento Regional de Saúde (DRS-11) de Presidente Prudente.

Então, a pergunta que não quer calar é: “onde vão colocar os novos doentes?”.

Leitos UTI-SUS, além de Prudente, têm apenas em Presidente Venceslau, Dracena e Rancharia.

Agora, vale outra pergunta. Como mandar doentes para essas cidades se elas não aguentam nem os infectados dos municípios dos seus entornos?

Vamos avaliar a situação de Rancharia, com seus 10 leitos UTI-SUS. Hoje (28 de julho) o município tem 194 infectados (a média móvel de 7 por dia não cai) e 35 pessoas com suspeitas da doença.

O hospital de Rancharia é referência para os municípios de Quatá, João Ramalho, Iepê e Nantes, que por sinal formam o Colegiado de Gestão Regional do Alto do Capivari na divisão para ações de Saúde.

Juntos, somados com Rancharia, o Alto Capivari tem 138 pessoas com sintomas da doença com material já recolhido e aguardando resultados.

Somente Rancharia tinha hoje sete pacientes hospitalizados.

Prudente já pediu arrego. Venceslau e Dracena não aguentam nem os pacientes dos seus municípios.

E Rancharia vai aguentar esse rojão?

O jornal O FATO trabalha com dados atualizados diariamente na região. Para se ter uma ideia o mapa diário do governo estadual, coordenado pela Fundação Seade, registrava hoje (até as 18h50) 116 infectados em Rancharia. Uma diferença de 78 pessoas infectadas. Isto só na pequena Rancharia, com 29 mil habitantes.

E nos 45 municípios da Região de Presidente Prudente?

As autoridades de Saúde de Rancharia devem ligar o sinal vermelho e deixar para os políticos que aguardem a fase amarela.

A UPA, tão desprezada pelas administrações municipais de Rancharia, vai fazer muita falta.

Porém, e sempre tem um porém.

E os hospitais particulares, como os de Prudente, têm vagas?

Poucas, mas têm.

Custam caro!

Preferimos escrever (sobre) e defender o SUS, que se não fosse ele o Brasil não aguentaria um mês de pandemia.

O sistema hospitalar SUS de Rancharia, pela evolução dos dados pandêmicos, tem tudo para entrar em colapso.
 

 
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O QUE RESTA FAZER?
Escrito por Ulisses de Souza em 27/07/2020 às 19:15:25
 

A Guarda Municipal de Rancharia flagrou no último fim de semana uma festa com 60 pessoas.

A guarnição prometeu informar detalhes da ocorrência.

Isso mostra o descaso com que a pandemia vem sendo tratada na cidade desde antes da primeira flexibilização.

Rancharia registrou hoje (segunda-feira, dia 27) um total de 178 infectados pela doença. Houve um aumento de 25 novos casos (16,3%).

É muito para Rancharia, com seus 29 mil habitantes.

No mesmo dia, 31 pessoas aguardavam resultados de exames, 30 em isolamento em casa e uma hospitalizada. Seis pessoas infectadas estão hospitalizadas. É o maior número de internações desde o início da pandemia.

O que preocupa mais do que os 178 casos é a média móvel das duas últimas semanas (de 13 a 20/7 e de 20 a 27/7) que se manteve em 7,5 e 7,4 (quase 8 pessoas infectadas por dia). A anterior – de 06 a 13/07 – registrou a média de 3,7.

O vírus já se espalhou. Já entrou na maioria das residências, principalmente naquelas onde mora um número maior de pessoas. É uma bola de neve familiar, infelizmente.

Outros números – comparações regionais - não ajudam nenhum pouco.

No dia 27 de maio, Rancharia ocupava o 17º lugar entre 45 municípios da região de Presidente com 5 casos confirmados; um mês depois passou para 13º com 25 casos; e hoje (27 de julho) ocupa um incômodo 4º lugar. Atrás de Presidente Epitácio, Presidente Venceslau, Dracena e Presidente Prudente.

Vale destacar que as pessoas que apresentam sintomas hoje só vão ser testadas, segundo protocolo do Ministério da Saúde, daqui a 14 dias. Há uma fila aguardando o dia de fazer o exame PCR, aquele que coleta material do nariz e da garganta.

A situação chegou ao pior estágio. Agora, só resta o colapso no sistema hospitalar. Vale lembrar que quem manda nos leitos UTI de Rancharia é a Central de Vagas do SUS. Interna pessoas que não moram na cidade.

E não vão pensar que apenas os idosos estão testando positivo. A grande maioria (61,3%), em Rancharia, tem entre 20 anos e 50 anos. De 20 anos a 40 anos são 40%.

Os pré-adolescentes e adolescentes, entre 11 anos e 19 anos, representam 6,9%, superior, portanto, aos idosos com idade acima de 70 anos (5,5%).

Esse é um puro reflexo das baladas, como a festa de 60 participantes no último fim de semana, e o número sempre crescente de pessoas nessas idades que desrespeitam a quarentena e vão para as ruas, até sem máscaras.

A situação requer uma atitude enérgica. A área da Saúde faz a parte dela com muito sacrifício (vários profissionais estão afastados, em isolamento); agora é a vez da fiscalização e do policiamento.

Multas, interdição de estabelecimento, detenções, é o que lei permite e se exige para o momento.

Caso contrário, o “lockdown” será o único remédio para amenizar (e não mais evitar) o quadro assustador da doença.

 

 
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Morte e vida, de todos nós!
Escrito por Ulisses de Souza em 26/07/2020 às 14:30:25
 

A vida é feita de histórias.

Cada um tem a sua.

Do princípio ao fim, do introito ao epílogo, serão contadas ou esquecidas.

Entremeiam-se com sorrisos e lágrimas. Dificuldades e facilidades vão às malquerenças e calaceirices.

Sem qualquer sentimento de culpa, passa-se uma borracha no passado e carimbam-se números aos nomes com histórias para contar.

Sepultamentos são sem direito a velórios. Sem adeus dos familiares e amigos.
Pô, a gente virou número!

Chico Buarque, o poeta de várias gerações, premonizou que as covas seriam de bom tamanho, nem largas nem fundas, sempre com os mesmos palmos de medida.

Covas simples, mas grandes para quem é apenas um número.

Apenas isso!

 

 
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REINVENTE-SE
Escrito por Ulisses de Souza em 26/07/2020 às 13:13:32
 

A palavra da moda é reinventar. Ou seja, quando sair dessa pandemia – se você conseguir sair – o que vai fazer, já que o planeta não será mais o mesmo?

Mas o uso dessa palavra não é o correto, já que reinventar é o mesmo que dar uma nova solução a alguma coisa que existe.

Será que é isso que o mundo ou as pessoas precisam? Seremos, nós, obrigados a enfrentar as mesmices das mesmices. Não há luz no fim desse túnel?

Ainda é cedo para ilações, previsões ou projeções. O certo é que a única coisa plausível para o fim do túnel não é mais a luz. É a vacina.

Por enquanto, devemos pensar na mudança do planeta, que depende de como as pessoas vão se reinventar após a passagem do furacão epidêmico. O ser humano está assustado. Não sabe sequer enfrentar uma quarentena quanto mais engolir algumas mudanças que vão, sim, alterar o dia a dia de cada um.

A grande maioria já encucou na síndrome do pânico, na depressão, ou seja, vai gerar novas doenças, pois não tem coragem de se reinventar.

Você notou que bastou usar um “pronomezinho” para jogar sobre nossas costas o árduo caminho da reinvenção. Reinventar-se e se reinventar – com o pronome (se) para frente ou para trás – dão outro sentido ao que pretendemos fazer após a pandemia. É o mudar de vida e de hábitos. Mas para isso vamos ter que deixar para trás alguma coisa.

O certo é que você não se reinventa sozinho e antes que essa pandemia – tal qual a peste preconizada por nossos bisavós – chegue ao seu final e passe a ser uma gripezinha, precisamos priorizar mudanças.

Vejam vocês que o vírus mortal resolveu atracar no Brasil justamente num ano eleitoral. Bagunçou o coreto de muita gente. O candidato também vai ter que se reinventar como pessoa.

Ele não vai poder mais enganar as pessoas com abraços de urso. Vai deixar de tomar o cafezinho “indigesto” na casa do pobre. Não vai poder mais falar ao pé do ouvido.

Já imaginaram o comício final com as pessoas mascaradas e a uma distância de dois metros uma da outra?

As lives são proibidas. A campanha na internet é restrita.

É exatamente aqui que entra o porém, e sempre tem um porém.

O planeta no início da vida – seja lá sob qual crendice – era lindo, florido, árvores frondosas, rios piscosos, sem poluição e com muito oxigênio.

O ser humano estragou tudo.

Ou melhoramos esse clima que nos submete a calor de 50 graus, inverno congelante, falta de ar úmido, furacões, ou vamos todos para a cucuia.

Mas o que isso tem a ver isso com as eleições municipais desse ano?

Se for para continuar na mesmice não vai ter nada mesmo.

Porém, e sempre tem um porém, os candidatos precisam se reinventar. Um bom início seria ajudar a salvar o planeta, mesmo que a sua colaboração seja grãozinho de areia.

Pense, por exemplo, em um projeto de reurbanização para Rancharia atendendo às novas exigências de mobilidade. É fundamental implantar a energia solar. Incentivar o deslocamento a pé e por meio de bicicletas. Reconstruir as calçadas para que idosos e pessoas possam andar com segurança. Atingir 100% da população com tratamento de esgoto. Levar água a 100% da população. Despoluir os antes piscosos riachos que passam pelo município. Incentivar o reflorestamento.

Se tudo isso funcionar onde moramos, com certeza estaremos contribuindo para que todas as pessoas se reinventem no menor tempo possível.

Essas atitudes podem ser o antídoto contra os males que virão, seja por síndromes ou por depressão.

Comece a pensar, agora.

Reinvente-se para a vida.

 

 

 
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"GRIPEZINHA" SEM CURA
Escrito por Ulisses de Souza em 26/07/2020 às 13:08:40
 

O número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus disparou na última semana em Rancharia.

Está perto de alcançar a centésima pessoa. Foram 93 casos positivos até o dia 16 de julho.

A pandemia não está para brincadeiras. As pessoas só se sensibilizam quando a doença atinge um membro da família, uma pessoa amiga ou alguém conhecido numa cidade tão pequena como Rancharia e seus 29 mil habitantes.

A irresponsabilidade de certa parte da população é descarada. Pessoas saem às ruas sem ter o que fazer; entram em filas sem obedecer ao distanciamento; não usam máscaras e participam de festas e baladas de fins de semana.

Há até aqueles que insistem, tal qual o psicopata presidente da República, em classificar a doença como “uma gripezinha”. Clamam pelo retorno de uma vida normal que não acontecerá mais.

Não pensem os arautos do genocídio que qualquer cloroquina pode curar a doença ou que uma vacina salvadora seja produzida a tempo de liberar as festas de fim de ano.

O mundo vai se transformar em algo imprevisível. Uma grande maioria vai ter que se reinventar. Não há nada na história do planeta, nem mesmo as consequências das duas guerras mundiais, igual ao futuro que nos espera.

A quarentena, mesmo reduzida à participação de uma população mais senil, já fez bem ao planeta. O ar que falta aos pacientes que padecem dos males provocados pelo novo coronavírus começa ser mais respirável sem precisar estar usando máscaras como vinha acontecendo em alguns países poluídos. Agora o uso dessa proteção não será perenizado. Vai durar até o vírus ser transformado em “gripezinha”.

Enquanto isso, vidas estão sendo ceifadas. Famílias choram seus mortos sem despedidas. Tal qual acontece nas guerras com os sepultamentos em valas comuns.

Cada estado, cada município está se virando como pode, sem a bússola que era para ficar com o Ministério da Saúde, responsável pela indicação do melhor caminho.

Não pensem vocês que os quase 100 casos positivos em Rancharia indicam uma desatenção nas ações desenvolvidas pelo setor municipal de Saúde, cuja atuação tem sido exemplar. Segue com rigor os protocolos determinados em estudos científicos.

Não pensem vocês que a não divulgação dos nomes e endereços das pessoas infectadas é falha de comunicação. Ao contrário, isso é proibido por lei. Mas fiquem tranquilos que quando a doença pegar algum amigo ou familiar você vai ficar sabendo através do rastreamento incansável que é elaborado pelos profissionais da Saúde.

Não existe essa sobre quem foi o responsável por transmitir o vírus. Todos os que não cumprem a quarentena, são. Ninguém pode garantir, por exemplo, que as duas pessoas que estavam na linha de frente no combate à pandemia – um policial militar e um médico – não foram infectados por alguém que burlou o isolamento e participou de baladas.

A irresponsabilidade das pessoas que não cumprem a quarentena tem consequências. Pode ser o motor gerador que expõe ao perigo até as pessoas que no dia a dia como objetivo de profissão o de salvar vidas, seja dentro do hospital ou numa viatura policial.

A pandemia não é apenas uma “gripezinha”, quer queiram ou não os arautos do genocídio. Se fosse não teria a força de parar o planeta e deixar todo mundo zonzo, sem saber o que fazer, tendo como único caminho a corrida desenfreada pela descoberta de uma vacina que transforme esse vírus mortal, aí sim, em “uma gripezinha”. Só que tem um porém, e sempre há um porém. Ninguém imagina quando isso vai acontecer.

Por enquanto, o melhor remédio é o isolamento.
 

 
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TRAGÉDIA ANUNCIADA
Escrito por Ulisses de Souza em 10/06/2020 às 19:14:25
 

O acefalismo cultural, o passivismo da imprensa regional e a incapacidade dos gestores políticos são os maiores culpados pelo absurdo fecha e abre durante a pandemia do Covid 19 na região de Presidente Prudente.

Tava na cara que isso ia acontecer. Vidas já se perderam e vão se perder, mas ninguém responderá por homicídio culposo. Em pandemias não há culpados. A culpa é do adversário invisível. Mas, mortes podem e devem ser evitadas. A informação que questiona é uma das boas trincheiras.

Por isso, entendo que o maior culpado de tudo isso, aqui na região, é a forma passiva como a imprensa se comportou desde o início do primeiro decreto de isolamento. Foi omissa. Aceitou os dados que foram repassados. Aceitou as ações inconsequentes de gestores públicos. Nunca questionou nada.

Quando escrevo imprensa coloco a TV Fronteira em primeiro lugar. Ela, por ser da Globo, é o canhão noticiário da região. Seus telejornais atingem diariamente a mais de 80% da população regional.

Daí a razão de não levar em conta jornal, rádios e sites prudentinos, pois são irrelevantes nesse contexto. Assim como é o meu site UNIOL e o meu blog: http://www.uniol.inf.br/blog.php?id=4

Eu esperneei o que pude. Escrevi o meu primeiro artigo no dia 3 de março, quando o vírus estava lá na China. Quando chegou ao Brasil e a região entrou em isolamento, usei o meu conhecimento como economista e montei e alimentei diariamente um banco de dados (paralelo ao oficial) em todas as cidades da região.

Não posso afirmar que a minha estatística sempre esteve matematicamente correta. Discordei muito dos números oficiais. Enquanto eu trabalhava com 45 municípios da região, o G1 e a TV Fronteira informavam sobre 53. A diferença é que escolhi mapear os municípios subordinados à Divisão Regional de Saúde e os demais órgãos de imprensa os da região Administrativa. Quando o governo estadual relaxou o isolamento, utilizou a divisão por DRS e não pela região Administrativa.

Aqui começou a primeira confusão. O leitor, ouvinte ou telespectador da mídia prudentina e regional se viu tentando entender porque Lucélia, por exemplo, não estava na fase amarela da região de Prudente e pertencia à DRS de Marília?

Enquanto Unipontal (municípios da Alta Sorocabana), Amnap (municípios da Alta Paulista), prefeitos como os de Martinópolis e Presidente Bernardes se esgoelavam em lives pedindo a abertura do comércio; eu os criticava.

Quando o prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho, liderou a região e apresentou um projeto ao governador Dória, escrevi o artigo “Lideranças pífias e genocidas”. Isso a dois dias de o governo estadual anunciar quais regiões seriam abertas. Prudente foi classificado na fase amarela indevidamente. Nunca deveria ter saído da vermelha. Aqui, nessa ação escrevi o artigo “Morte não se flexibiliza”.

O jornalismo da Globo tem demonstrado uma boa capacidade de questionar dados e ações do governo. Por que, então a TV Fronteira não segue o padrão adotado pela emissora a nível nacional? Os jornalistas – muitos deles meus amigos – preferem dar receitas de comida na TV e fazer a ronda policial no G1.

Não vou neste artigo explicar e divulgar os dados que compilo e divulgo diariamente no site UNIOL.

Apenas vou repetir algumas informações que formam o eixo sobre os números que levanto diariamente. Com os quais me preocupo.

A região de Prudente possui 45 municípios subordinados à Divisão Regional, dos quais apenas 4 (quatro) possuem leitos UTI-SUS. Ao todo são 40 leitos para mais de 700 mil pessoas. Notem, 40 municípios não possuem leitos UTI.

Nos últimos 9 dias, do dia 1º de junho a 9 de junho – nos 45 municípios que monitoro houve um aumento no número de óbitos de 34 para 40 (17,6%); de novos infectados de 453 para 616 (35,9%); e de casos suspeitos de 221 para 285 (28,9%). Os aumentos percentuais são explosivos!

Agora, o mais importante. Esse crescimento pandêmico envolve cidades pequenas. Para quem não sabe, das 45 cidades da DRS-PP, mais de 80% tem menos de 20 mil habitantes.

Os 40 leitos do Covid19 disponibilizados pelo SUS na região não serão suficientes para atender os doentes que chegarão em ambulâncias dos municípios que não possuem sequer um respirador.

Espero que o nome que rotulei esse artigo - “Tragédia anunciada” - contrarie meus cálculos matemáticos.

 

 
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CLONAR AÇÕES DE PRUDENTE É SUICÍDIO!
Escrito por Ulisses de Souza em 08/06/2020 às 20:31:45
 

A ignorância em matemática é pior que o vírus da pandemia que hoje tira o sono de muita gente ainda em isolamento.

Só assim para explicar a atitude de quem flexibilizou e a de quem acha graça em ter ficado confinado um tempo e se recusa até em usar máscaras.

Tem uma máxima no boxe que diz que o lutador que está vencendo por pontos não deve baixar a guarda. Um golpe bem encaixado seria nocaute!

Assim eu vejo a situação pandêmica na região de Prudente.

O isolamento inicial, principalmente nos meses de abril até meados de maio, permitia levar a luta, árdua, até o seu final sem muitas sequelas irreparáveis.

Quando se decidiu baixar a guarda com a flexibilização na região de Presidente Prudente as cidades tinham vários rounds pela frente e nunca podiam ter baixado a guarda.

A região possui 45 municípios subordinados à Divisão Regional de Saúde. A maioria – mais de 80% - tem menos de 20 mil habitantes. Nessas cidades, a matemática para descobrir a potência do adversário não necessita de fórmulas. Basta uma regrinha de três, daquela que aprendemos no ginasial.

Um exemplo hipotético. Uma cidade com 5 mil habitantes registra cinco casos positivos e uma morte. Seu índice de letalidade é de 20%, quando a média brasileira e mundial está abaixo de 6%.

Essa cidade hipotética teve um infectado em cada 100 moradores. Comparado a Presidente Prudente há muita diferença, já que a capital da Alta Sorocabana teve um infectado para cada 1.128 moradores (dados de 8 de junho).

Bem diferente, não?

Então, porque as cidades da região seguiram a porralouquice de Presidente Prudente, que abriu o comércio e ainda vai amargar por isso, com índices de isolamento abaixo de 40% e as ruas e bares lotados. Com ou sem máscaras.

Rancharia nos últimos quatro dias registrou um caso positivo que contaminou outras cinco pessoas até agora. Vão perguntar: como isso é possível se as pesquisas mais renomadas indicam no máximo um contaminado para duas pessoas?

Ora bolas! Numa cidade como Rancharia, com 29 mil habitantes, isso é possível pela proximidade entre as pessoas. Então, o que dirá uma cidade de cinco mil habitantes com cinco casos no exemplo que usamos?

Quanto menor for a cidade, a conta não precisa do uso da calculadora.

Uma região como a de Presidente Prudente que tem mais de 80% dos municípios com a população abaixo de 20 mil habitantes não pode se espelhar no que faz uma cidade de mais de 200 mil habitantes.

Mas, existe alguma saída?

Sim, e acho que é mais simples do que uma regra de três.

Por exemplo, Rancharia tem mais de 29 mil habitantes e está entre os 20 maiores municípios em população da região de Presidente Prudente. Possui um pouco mais de 500 idosos, os de risco, que deveriam ser testados. Seriam dois kits para cada um a fim de respeitar os prazos.

Ora, para as cidades pequenas kits de testes representam um custo insignificante. Por isso, não precisam nem esperar ajuda – que não virá - dos governos federal e estadual. Estes estão preocupados com as metrópoles e com milhões de testes.

O melhor remédio hoje é o teste individual da população. Para as cidades pequenas isso é fichinha.

Agora, cidade pequena querer seguir Presidente Prudente é como um marujo que recebe a ordem do comandante para retirar a água com galão do navio que está naufragando.

O município de Indiana, com 4.941 habitantes, puxou sabiamente a fila e fechou o comércio depois de dois dias de flexibilização.

Não é a hora de baixar a guarda!

 


 

 
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POR QUE INDIANA ABANDONOU A FLEXIBILIZAÇÃO?
Escrito por Ulisses de Souza em 05/06/2020 às 18:00:11
 

O site UNIOL tem divulgado análises próprias sobre o Covid 19 nos 45 municípios controlados pelo Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente (DRS-PP).

Uma delas - a que mostra a probabilidade de disseminação nas cidades - tem evidenciado que novos casos poderiam ser evitados e, com isso, até possíveis óbitos.

O primeiro ranking divulgado pelo site UNIOL foi no dia 2 de junho (terça-feira) e nele a cidade de Indiana surgiu como a de maior risco de propagação do vírus.

No dia anterior, 1º de junho, o município, como todos da região, havia flexibilizado o isolamento e autorizado a reabertura do comércio. Mas na quinta-feira, dia 4 (dois dias depois), a Prefeitura voltou atrás e cancelou a flexibilização.

Obviamente, o que levou a Prefeitura a essa decisão não foi o ranking do site UNIOL, mesmo porque ele não deve ser acessado naquela cidade. O que aconteceu é que as autoridades de Saúde perceberam o que o site já vinha publicando antes da flexibilização.

Para que as pessoas entendam o ranking não basta apenas comparar os casos positivos com a população da cidade. É preciso um acompanhamento diário. Indiana vinha registrando no final de maio casos positivos sem ter, no entanto, um único caso suspeito. Ou seja, o infectado aparecia do nada? Numa cidade de quase 5 mil habitantes? Na qual todo mundo conhece todo mundo?

Nessa toada, Indiana fechou o mês de maio com 10 casos prositivos e um suspeito. No dia 1º de junho (data da flexibilização) houve um aumento de 50% no número de infectados. Passou de 10 para 15 casos. Os suspeitos continuavam sendo mantidos em um caso apenas. Vale a pergunta: como aparecem 5 casos sem que haja nenhum suspeito?

Vai daí que no dia 3 de junho houve o aumento de mais dois casos positivos. O número de suspeitos permanecia em um caso. No dia seguinte, o número passa para 18 e daí aparecem 05 casos suspeitos. Isso motivou a drástica decisão de por fim na flexibilização.

A análise do dia a dia indicava que alguma coisa estava errada, já que os infectados aumentavam sem que houvesse caso suspeito. Isso numa cidade com menos de cinco mil habitantes, que não possui leitos de UTI muito menos um aparelho respirador, é de alta relevância. E se um desses casos evoluir para óbito?

Por isso, defendo a tese de que a prevenção é buscar o vírus nos assintomáticos. Prevenir é o melhor remédio, juntamente com o isolamento que, aliás, não deveria ter sido flexibilizado na região de Presidente Prudente.

O DRS precisa cruzar esses dados e enxergar as pequenas cidades, pois ainda é tempo de bloquear o vírus nas que possuem menos de 20 mil habitantes, que representam 78% dos 48 municípios da região.

Para se ter uma ideia, a região de Prudente possui 7 (sete) municípios com menos de 5 mil habitantes que ainda não registraram casos positivos da doença. Dos 10 municípios que lideram o ranking da “Disseminação”, nove têm população abaixo de 5 mil habitantes.

Olhar para os pequenos municípios pode salvar vidas, como escrevi em texto anterior. Aliás, ações preventivas neles não devem ser muito difíceis, já que dos 45 municípios, 35 (a grande maioria – 78%) têm menos de 20 mil habitantes e não possuem leitos de UTI, sequer um respirador.
 

 
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ENXERGAR PEQUENAS CIDADES SALVA VIDAS
Escrito por Ulisses de Souza em 03/06/2020 às 20:27:18
 

As pessoas que contraíram o Covid 19 ou que figuraram como casos suspeitos não têm cara. São números. Quando muito o sexo e a idade.

Nas metrópoles e cidades grandes os números assustam e a impressão que se tem é a de que esse epicentro – de números absolutos – é o maior disseminador da doença.

Essas cidades saíram na frente porque os primeiros casos pela probabilidade de riscos (turistas que retornavam de viagens, por exemplo) eram muito maior.

As pequenas cidades foram as últimas a registrar casos positivos. Algumas, ainda não. No entanto, quando pinta um caso nelas a maioria da cidade pode ter tido contato com a pessoa que contraiu o vírus.

Quanto menor a cidade, maior é o risco, quando se tem registrado o primeiro caso.

Assim é que o site UNIOL cruzou os dados comparativos entre os casos positivos e a população dos 25 municípios da região subordinados ao Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente.

A análise foi uma surpresa e mostra que entre os 10 municípios com maiores probabilidades de disseminação da doença, sete possuem população abaixo de 5 mil habitantes; um abaixo de 10 mil habitantes e dois abaixo de 20 mil habitantes.

Para se ter uma ideia, Presidente Prudente é a cidade da região com o maior número de infectados. Um total de 157 pessoas (dados do dia 2 de junho). No entanto, na proporção com o número de moradores figura como a 14ª cidade com maiores riscos de disseminação da doença.

Por isso, acho um equívoco o combate adotado pelo governo de São Paulo, que aplica o teste (gratuito) quando a pessoa tem sintomas da doença e teve contato com alguém que foi infectado, cujo controle fica sob sigilo na área municipal da Saúde.

As autoridades regionais da Saúde erram quando não enxergam os números que chegam das pequenas cidades. Por exemplo: dos 45 municípios do DRS-Prudente, nove não registraram nenhum caso positivo. Dos nove municípios, sete tem menos de cinco mil habitantes; um tem seis mil e outro oito mil.

Ora bolas! Antecipar à doença – além do isolamento – é o melhor remédio. Seria muito fácil testar toda a população desses municípios, pois quando um morador contrai a doença ele pode ter tido contato com quase todos os habitantes.

Assim também merecem especial atenção os municípios pequenos que registram casos positivos e lideram o ranking da probabilidade divulgado pelo site UNIOL. Fazer um mutirão e testar toda essa população é o caminho do bom senso.

Com essas simples e pequenas medidas, a prevenção chegará corretamente a mais da metade dos municípios do DRS-Prudente, ainda mais quando sabemos que todos não possuem leitos UTI, muito menos respiradores.

Evitar a disseminação da doença requer também – além do isolamento – ação de logística, que infelizmente os gestores da região de Prudente não demonstram enxergar.
 

 
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PROIBIDOS DE ENTRAR!
Escrito por Ulisses de Souza em 31/05/2020 às 11:22:42
 

O decreto que flexibiliza algumas atividades em Rancharia proíbe que menores de 12 anos e maiores de 60 anos frequentem clubes sociais e de serviços.
Na cidade há três clubes de serviços: Lions, Rotary e Maçonaria.

Proibir a entrada de leões, maçons e rotarianos com idade acima de 60 anos é o mesmo que impedir a entrada no Fórum de quem tem o curso de direito.

Esses clubes são rotulados como “fim de linha”, pois agrega aqueles aposentados que não têm muito que fazer, mas querem palpitar sobre política e participar de diretorias que lhes dão visibilidade e poder.

Imagino um fiscal impedindo a entrada desses idosos em reuniões “de serviços”, que agora podem ser realizadas, desde que cada participante fique a dois metros do companheiro. Isso é meio difícil, já que a maioria possui “ouvidos moucos”. A linguagem é labial, mas aí vai ter a máscara para atrapalhar...

Posso garantir que escrevo com convicção, pois já pertenci a um deles, o Lions. Não era ainda quarentão. Deixei o clube por não concordar justamente com as posições conservadoras da “velha guarda”. Hoje, se tivesse permanecido, com certeza os mais jovens é que não concordariam com nossas posições senis.

A vida é assim em cidades pequenas, quanto mais provincianas. Todo mundo conhece todo mundo. Todo mundo se sente no direito de falar de todo mundo. E assim, a vida segue.

Por causa desse conhecimento mútuo, o decreto deveria omitir esse parágrafo, mesmo porque os clubes sociais também terão problemas nas portarias. São dois em Rancharia; AABB e o finado Rancharia Clube.

No finado, as únicas atividades ainda existentes são a academia, o tênis e o futebol, que não tiveram a reabertura autorizada. Pode abrir só o bar.

Na AABB, funcionava bem, aos sábados, o encontro da “Turma da Bocha”, sendo a maioria aposentados. Alguém vai ter que informá-los que os sessentões pra cima não vão poder entrar.

Essa flexibilização foi concebida por gestores de cidades metropolitanas e copiada por todos.
Ora bolas!, a pacata vida no interior é diferente da embaraçada vida da metrópole.

Sou totalmente contra a flexibilização. Não era hora, com a pandemia regional, e não local, se avizinhando da nossa cidade com a bocarra aberta!

Mas, decreto é decreto. Então, cumpra-se.

 


 

 
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MORTE NÃO SE FLEXIBILIZA!
Escrito por Ulisses de Souza em 29/05/2020 às 17:05:05
 

Algo me diz que a colocação da região de Presidente Prudente na faixa amarela se deu por pressão de prefeitos que, capitaneados pelo comandante da nau regional, Nelson Bugalho, elaboraram um plano parecido e enviaram ao governo esta semana.

Esse navio vai a pique e pode afundar muita gente.

A regra para a flexibilização exige que as cidades tenham disponibilidades de leitos UTI e redução no número de casos da doença.

Não é o caso de Presidente Prudente, já que dos 45 municípios da DRS-PP 41 não possuem leitos de UTI e 36 não têm sequer um respirador.

A região com seus 40 leitos Covid-SUS vai ter que rebolar para atender uma população de cerca de 760 mil habitantes (IBGE-2015). Isso sem contar que em 17 dias – de 11 a 27 de maio – os casos de pessoas infectadas aumentaram 131,25% e as mortes, 94,11%. Um mais e outro quase o dobro.

A taxa de letalidade nesse período nunca ficou abaixo de 8%. No dia 27 estava em 8,10%.

Há uma comparação intrigante: A região de Prudente dispõe de 40 leitos-SUS e a de Marília destinou 105 ao Covid, dos quais 6 são leitos de UTI pediátricos.

Enquanto Prudente está na faixa 3 (amarela), Marília ficou na faixa 2 (laranja) que é mais restrita.

Outra comparação. Marília comanda 62 cidades, com população de 1.152 milhão de habitantes (IBGE-2015). Dessas 39 (62,9%) possuem menos que dez mil habitantes; das quais 25 têm menos que cinco mil habitantes.

Para atender a toda essa população a região de Marília dispõe de 1 (um) leito UTI-SUS para cada 19 habitantes. Prudente, 1 para cada 11 pessoas. É uma boa diferença!

Vou me ater apenas à cidade de Presidente Prudente que sempre esteve no rodapé do ranking de isolamento social; 39% nos últimos dois dias. Então, caberia perguntar. Abrir o quê e pra que? Já que mais da metade da população de 207 mil habitantes (IBGE-2015) colocou os pés pra fora de casa.

A flexibilização em Prudente vai atrair consumidores de outras cidades que vão aos shoppings e já estão indo aos atacadistas.

A cidade possui apenas 20 leitos UTI-SUS destinados para o Covid. Uma lotação de 80% significa 16 leitos ocupados por, no mínimo, duas semanas. 16 leitos representam 16 pessoas. Vale ressaltar que só a cidade de Prudente já registrou 135 pessoas que foram infectadas pela doença. Na região são 407 e muitos passaram pelo ou estão no Hospital Regional. E essa conta parece empréstimo bancário, nunca para de crescer.

A prefeitura de Prudente, incapaz de fiscalizar ônibus que trafegam lotados na pandemia, não tem a menor condição de conferir diariamente se as regras estão sendo cumpridas ou não. O que vai valer é a estatística de doentes e mortos.

Isso pode ter um final nefasto para todos.

 


 

 
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LIDERANÇAS PÍFIAS E GENOCIDAS
Escrito por Ulisses de Souza em 22/05/2020 às 14:40:23
 

O prefeito de Presidente Prudente, Nelson Bugalho, anunciou ontem (20) que vai apresentar hoje (21-sexta-feira) ao governo estadual o Plano de Retomada das Atividades Econômicas da 10ª Região Administrativa.

A iniciativa prevê a retomada das atividades no dia 1º de junho, ou seja, daqui a uma semana.

Bugalho disse que o tal plano foi debatido em videoconferência com seis lideranças da região. Citou apenas dois: os presidentes da Unipontal e da Amnap. Os outros devem ser invisíveis.

Essa tal “liderança” nunca se reuniu a fim de debater ou propor ações regionais com o objetivo de minimizar o estrago que o Covid provoca em famílias atingidas por mortes.

Presidente Prudente, autor do Plano, não é exemplo para nada, pois não consegue frear seus moradores e todos os dias é vergonhosamente citada como uma das cidades paulistas que mais desrespeitam o isolamento social.

Seus gestores municipais não conseguem sequer resolver o problema gerado no transporte público, mesmo com as ameaças do Judiciário. As pessoas que precisam trabalhar estão sendo expostas diariamente no horário de pico em ônibus superlotados.

O líder presidente da Unipontal, Jorge Duran, é prefeito de Presidente Venceslau, cidade que registra o vergonhoso índice de letalidade de 23%, acima da maior taxa mundial registrada, que foi a da França, com 19%. Ou seja, o risco de um paciente morrer de Covid na cidade é de 23% quando a média mundial é de 7%.

Venceslau detém o maior número de mortos juntamente com Prudente: total de oito. No início da pandemia, precisou entrar na Justiça para que o Hospital Regional (HR) recebesse seus doentes. O hospital da cidade, sempre em crise, tem 10 leitos-SUS e uns seis devem ter sido isolados para receber pacientes da Covid, doença altamente contagiosa.

O presidente da Amnap é prefeito de Osvaldo Cruz, município que pertence à Divisão Regional de Saúde de Marília, à qual se submete as ações de combate ao Covid. Então não é o “líder” ideal para palpitar o que vai ou não ser aberto na região da DRS de Prudente.

O número de novos casos é ascendente em toda a região de Prudente. Ontem eram 353 pessoas que contraíram a doença. Ninguém sabe quantos estão hospitalizados. Outros 217 estavam com a suspeita da doença.

Dos 53 municípios da região administrativa apenas cinco possuem leitos de UTI-SUS, sendo Prudente (38), Adamantina (09), Dracena (10), Venceslau (10) e Rancharia (10). Dos 45 municípios da DRS de Prudente apenas quatro possuem leitos UTI-SUS (exceção de Adamantina que pertence à DRS de Marília).

Somados, tanto num caso como no outro, a Covid deve dispor de no máximo 50 leitos UTI-SUS para uma população de 900 mil pessoas. Muitos desses leitos já estão ocupados. A lotação média deve estar em 60%. Isso quer dizer que se 10% das 217 pessoas com suspeita da doença precisarem de UTI o sistema hospitalar da região de Prudente entra em colapso. E os novos casos que brotam diariamente?

A situação no sistema de Saúde é muito séria para que lideranças discutam e decidam apenas sobre a retomada da economia regional. Gestores da área médica – e não militares – que estão à frente no combate à doença são unânimes em afirmar que o epicentro se deslocará das grandes cidades para o Interior.

As duas entidades - Unipontal e Amnap – já se pronunciaram em pedido ao governador pela reabertura do comércio. Atitude politiqueira em ano de eleição, irresponsável e genocida. Mas nunca propuseram a formação de um Comitê regional de combate à crise.

Agora, o plano diz que um Comitê de Contingenciamento do Covid 19 vai orientar, por consenso, a abertura gradual da economia, prevista em três fases. A mudança, diz o plano, só será possível mediante estabilidade de número de casos novos e capacidade de leitos hospitalares para atendimento à demanda.

Ora, já era pra ter esse Comitê que, por certo, saberia que mais de 40 municípios só têm uma arma contra o Covid: as ambulâncias, muitas delas caindo aos pedaços. Nenhuma com UTI.

Esse Comitê, se existisse, saberia também que 34 municípios não possuem sequer um respirador, segundo cadastro do Ministério da Saúde.

É profundamente lamentável essa preocupação, motivo de estudos, das “lideranças invisíveis” da região. Elas deveriam estar preocupadas com um plano B, sobre o que fazer para conter a propagação do vírus e até mesmo preparar leitos clínicos para o primeiro atendimento dos pacientes que estão surgindo entre uma população de quase um milhão de pessoas.

Esse plano é altamente genocida e se acontecer o pior alguém vai ter que responder pelas mortes. O STF restringiu o alcance da MP que livrava o agente público de punição.

Que os líderes, então, apareçam!

Eu, jamais trocaria o melhor CNPJ do sistema financeiro pelo mais simples CPF.
 

 
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VOLTE PARA CASA!
Escrito por Ulisses de Souza em 21/05/2020 às 10:06:57
 

É só dar um rolê de carro e mascarado, obviamente, para perceber que o comércio em Rancharia já está reaberto.

Lojas que não pertencem a atividades essenciais funcionam normalmente. Porém, com um jeito grotesco de burlamento. Algumas têm meia porta aberta e mesa com álcool e gel. Outras, nem isso! Reportagem no site UNIOL publica fotos.

A crise vai pegar todos de calças curtas. Seja empregador ou empregado.

Mas, no meio dessa pandemia há algo mais valioso, que é a vida, cuja preservação é negligenciada a todo o momento.

É preocupante saber, por exemplo, que no dia 30 de março, há 50 dias, diretores do hospital curtiram, compartilharam e até postaram nas redes sociais um fake verde e amarelo pedindo a reabertura do comércio.

Vale informar que a maioria dos diretores do hospital é comerciante.

É bom que todos saibam que o hospital dispõe de apenas 6 (seis) leitos de UTI destinados a pacientes do Covid. Os outros 4 (quatro) estão separados por uma parede acrílica a fim de atender pacientes com infarto, acidentados, com parada respiratória, etc., doenças que não sumiram na pandemia.

As filas nas agências bancárias e lotecas não respeitam as determinações da lei. E ninguém está nem aí! Tem pessoas sem máscaras, quando a lei obriga que essas empresas (bancos e lotecas) ofereçam e organizem as filas nas calçadas e respeitem o limite de distância entre as pessoas.

Os fins de semanas estão repletos de churrascadas e festas com mais de 10 pessoas em cada. O próprio delegado postou recentemente que esse abuso vai fazer com que ele, como autoridade da lei, fique na porta do hospital e separe aqueles que cumpriram o isolamento dos que desrespeitaram. E ele conhece as lereias programadas.

Por citar a porta do hospital devo lembrar a todos que ela é muito estreita, pois tem 6 leitos UTI para atender de imediato uma população de 60 mil pessoas, por conta do convênio com as cidades de Quatá, João Ramalho e Iepê.

Mas, esse convênio e a população de Rancharia (com ou sem plano de Saúde) não terão o privilégio de ter esses 6 leitos apenas para eles. Os leitos pertencem ao SUS e fazem parte de uma relação absurda de cerca de 40 (incluindo o HR) que o governo dispõe para, através da Central de Regulação de Vagas, atender a população regional de quase 1 milhão de pessoas.

O desgoverno autorizou o uso da cloroquina para pacientes com sintomas leves do Covid, mas é necessária autorização assinada pelo doente.

Seria o caso então de quem pede insistentemente a reabertura do comércio, de quem burla a lei, de quem participa das lereias assinem antecipadamente a autorização para tomar cloroquina em casa e abrir mão do leito de UTI e do respirador. Se quiser, pode levar o atestado de óbito para um médico assinar.

Eu, jornalista e cidadão, aceito as orientações da OMS, de profissionais da Saúde, que seguem as evidências científicas.

Cumpro a quarentena, mas com isso não fico imune à doença. Apenas ajudo a não engrossar a fila de pessoas que vão brigar ao mesmo tempo pelos seis leitos UTI de Rancharia com mais um milhão de pessoas.

Não há vacina ou remédio para aplacar a ira desse vírus que paralisou o mundo. Para combatê-lo só há uma alternativa; o isolamento social. Fora disso é suicídio ou genocídio.

Se eu fosse gestor público não trocaria o melhor e mais pomposo CNPJ pelo mais simples CFP ou por um ser humano invisível.

A vida anda e a pandemia vai passar.

Volte para casa, pois após o furacão o mundo, a economia, as relações sociais não serão mais as mesmas.

Então, volte para casa, enquanto é tempo de salvar vidas.

 

 
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ÍNDOLE GENOCIDA
Escrito por Ulisses de Souza em 20/05/2020 às 11:27:05
 

Presidente Prudente é a metrópole, a principal cidade do oeste paulista. É o imã que atrai em seu campo magnético 53 municípios. Exerce forte influência sobre as cidades satélites em áreas como educação e saúde.

Deveria ser a liderança natural da região. Mas não é!

Na crise provocada pelo Covid 19, seus gestores, sejam municipais e estaduais, agem como baratas tontas. O gestor municipal, nesse caso é o prefeito: e o estadual, a Divisão Regional de Saúde.

É certo que suas decisões vão influenciar e muito os municípios-satélites.

Como liderança, Prudente sempre fechou os olhos ao sistema politiqueiro da ambulancioterapia. Aquele que os municípios despejam seus pacientes na metrópole regional.

Nesse caso, Prudente age como o pai que, sem necessitar, põe o filho para trabalhar e pega o seu salário.

O certo é que isso lhe interessa no lado econômo, pois centenas de pacientes aportam diariamente na cidade, gastam em lanches, em restaurantes, no Shopping, nos postos de combustíveis e no sistema privado de Saúde, como clínicas, laboratórios e hospitais particulares.

Os municípios-satélites aceitam devido à incompetência primata de seus gestores.

Esse sistema gerou uma centralização excludente, pois o Hospital Regional (HR) – o imã regional de Saúde – nunca conseguiu atender à demanda dos vizinhos. Uma simples cirurgia demora mais de ano para ser realizada.

Agora, a Covid 19 desnudou essa torre de Babel, construída pelo altivo politiqueiro e centralizador.

O HR possui 38 leitos UTI do SUS. Nem todos foram destinados à Covid 19. Notícias recentes informam que são apenas 11e que já estariam na iminência de superlotação. Já já não vai poder receber ninguém. Cada paciente de Covid ocupa um leito por um mínimo de 14 dias.

O que fazer com a população de mais de 900 mil pessoas?

Ora bolas! Só resta olhar no entorno da metrópole e ver quem pode ajudar. Vão encontrar apenas três cidades das 52 restantes que possuem leitos UTI do SUS. Dracena, Presidente Venceslau e Rancharia. Cada uma com dez.

Estas vão poder disponibilizar um máximo de 20 leitos para o Covid 19.

Acontece que o vírus não é centralizador como fizeram com o sistema de saúde. Ele é pandêmico e vai se disseminar por todos os 53 municípios.

As cidades que gravitam no entorno da metrópole de Presidente Prudente se encontram no “bico do corvo” com a pressão de mais de 670 mil pessoas no cangote. Não sabem o que fazer. Só têm ambulâncias e que não são UTI.

A coisa complica ainda mais quando Presidente Prudente se mostra nessa crise que possuí lideranças políticas incapazes; um prefeito inábil; empresários que olham para o próprio umbigo e uma população desnorteada que puxa para baixo o índice de isolamento das principais cidades do Estado de São Paulo.

Prudente registra 99 pessoas que contraíram a doença. Muitas foram curadas e oito morreram. No período de 17/05 a 19/05, último registro, teve uma média de três casos por dia.

A par de tudo isso há os irresponsáveis – como alguns prefeitos de cidades satélites – que insistem em querer abrir o comércio.

Será que alguém poderia assumir essa liderança e explicar que o isolamento é o único remédio eficaz contra a doença? Não de cura. Mas como prevenção.

O objetivo principal é evitar que a propagação da doença se alastre como rastilho de pólvora e uma “pultidão” vá ao mesmo tempo disputar os incipientes cerca de 30 leitos UTI do SUS, que existem para atender quase um milhão de pessoas.

Pensar de maneira diferente é de índole genocida.

 


 

 
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RANCHARIA DEVE GRATIDÃO A LAUDO NATEL
Escrito por Ulisses de Souza em 18/05/2020 às 23:01:57
 

O ex-governador Laudo Natel morreu hoje aos 99 anos.

E daí. O que tem a ver com Rancharia?

Eu não seria a pessoa mais indicada para elogiá-lo. Nossas preferências políticas e futebolísticas nunca foram as mesmas.

Mas, como ranchariense, sou obrigado, até por minha profissão, em lembrar o quanto o ex-governador foi parça do nosso município.

Quando o nosso Chiquito, já fora da política, ocupava uma sala do banco da família do seu amigo Paulo Egidio Martins, no centro de São Paulo, batemos um longo papo sobre política e Rancharia. Parte da conversa foi publicada na edição de junho de 1978 do jornal O FATO.

Laudo tinha ocupado o cargo de governador quando como vice substituiu em 1966 Adhemar de Barros, então cassado pela ditadura. Depois foi eleito em escolha indireta e governou até 1975.

Chiquito me contou e eu publiquei em O FATO que ele havia lançado o Laudo na política. Chiquito era presidente do PR e convidou o Laudo a sair candidato a vice em faixa própria. Laudo saiu e foi eleito. Mas quando aceitou, ele e Chiquito foram para Rancharia e ficaram três dias hospedados na Fazenda do Pedro Ferreira Doninho (Pedrão). Então sua candidatura foi praticamente lançada em Rancharia, como disse Chiquito. De Rancharia, eles saíram em campanha pelo interior.

Eleito, Laudo não esqueceu Rancharia. Tornou-se amigo da família do Pedrão. Foi padrinho de casamento da Conceição Doninho e Jango. Era comum o comentário na cidade: “o governador tá aí”.

O hospital de Rancharia foi o mais beneficiado pelo governador. Justo o hospital que hoje todo mundo (políticos, gestores, grupos fechados) diz que é dele.

Ele vinha pessoalmente acompanhar as obras. Quando não podia vir quem chegava aqui era a dona Zilda Natel, que emprestou seu nome à enfermaria e ao centro cirúrgico do hospital.

Será que Rancharia, como sempre faz, vai mais uma vez ignorar sua história e não homenagear quem tanto ajudou? O município distribui afagos com nomes de ruas e de imóveis públicos a torto e direito.

Se Rancharia não reconhecer essas pequenas nuances, com certeza, nunca conseguirá escrever a sua história.
 

 
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GESTORES PÚBLICOS CRIMINOSOS
Escrito por Ulisses de Souza em 18/05/2020 às 20:18:55
 

Os gestores públicos mal intencionados da região de Presidente Prudente começam a por as manguinhas de fora. Em ações isoladas expõem os moradores das cidades que administram a um perigoso e precoce enfrentamento contra o inimigo que se aproxima implacável.

Sábado, o prefeito de Presidente Bernardes, Reginaldo Cardio, ampliou por decreto o funcionamento do comércio na cidade.

Ele não foi eleito prefeito. Substituiu o prefeito que abandonou o cargo. O substituído era médico e havia sido preso com Reginaldo antes da posse. Foram acusados por três crimes eleitorais. O TRE os livrou da cadeia.

O médico alegou foro íntimo para pular fora do barco municipal. Mas o vice topou a parada.

Nada contra esse imbróglio jurídico, mas tudo indica que, agora, o vice quer ser prefeito em eleição deste ano, se houver. Para tanto, abrir o comércio é uma medida política.

Há ainda o fato de o próprio ser comerciante.

Bernardes possui uma população de cerca de 14 mil habitantes. Quatro pessoas da cidade já pegaram a Covid 19 e outras seis são suspeitas. O hospital da cidade não possui um leito de UTI e tem apenas dois respiradores. Ou seja. Usa a ambulancioterapia para jogar seus doentes no HR de Presidente Prudente, cidade distante a apenas 25 quilômetros.

Agora, se você me perguntar, o que isso tem a ver com Rancharia, leia até o fim.

Os hospitais de Prudente não aguentam mais de dez dias no atendimento a uma população de mais de 900 mil pessoas. Daí a Secretaria de Saúde vai enviar os casos graves aos hospitais com mais leitos de UTI-SUS.

Depois de Prudente, Rancharia surge como a melhor alternativa para atender a demanda com seus 10 leitos de UTI, sendo 6 isolados para a Covid.

Por isso, gestos irresponsáveis como esse do prefeito de Bernardes vão refletir em Rancharia. Vão refletir também em toda a região.

Os gestores públicos deveriam saber que o isolamento social não é decisão política de quem quer que seja. Serve apenas para evitar que todos fiquem “gripados” ao mesmo tempo e procurem juntos o atendimento médico.

Uma pessoa entubada usa um leito UTI por 14 dias.

Quem é gestor público e age demagogicamente, de duas uma: ou não sabe fazer conta ou é um mal intencionado, cara-de-pau e quiçá, criminoso.

 

 

 
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UNI-VOS CONTRA O COVID 19
Escrito por Ulisses de Souza em 13/05/2020 às 15:32:25
 

Rancharia parece estar tranquila com os dados da pandemia do Covid 19. Há cinco dias não temos um caso suspeito e nenhum outro aguardando exame. Ou seja, estamos zerados com três pessoas que pegaram a doença e uma morte.

Mas, essa calmaria não reflete o que está acontecendo ao seu redor. O tufão que se aproxima pode pegar a cidade sem a proteção em portas e janelas.

O raciocínio é lógico.

Presidente Prudente é a referência regional na área da Saúde. A Secretaria Estadual de Saúde informou ontem (11) ao jornal O Imparcial que os leitos UTI do Hospital Regional registravam 100% de lotação.

Os hospitais de Prudente possuem 27 leitos UTI do SUS e outros 30 de particulares. Eles serão insuficientes para atender a demanda local do município, quanto mais à procura regional por leitos.

Prudente registra um dos mais baixos índices de isolamento, segundo monitoramento do governo estadual. Os dados de ontem (12), divulgados às 17h42, não são nada animadores: 71 moradores foram infectados; 29 estavam hospitalizados; 11 ocupavam leitos de UTI; e 36 pessoas estavam sob a suspeita de ter contraído a doença e aguardavam exames.

Isso mostra que os hospitais da cidade não vaão aguentar atender nem os seus moradores.

Rancharia pertence à Divisão Regional de Presidente Prudente, que administra 45 municípios na área da Saúde. É o segundo com maior número de leitos UTI do SUS, com dez.

No esgotamento da capacidade hospitalar de Prudente, Rancharia será o principal alvo da Central de Regulação de Vagas da DRS. Por isso, mesmo que o município não tenha pacientes, sua incipiente capacidade hospitalar não aguentará a demanda.

Vale ressaltar que os outros dois municípios dos 45 da DRS que possuem leitos de UTIs – Dracena e Presidente Venceslau – não conseguem atender sequer seus pacientes. O primeiro registra 19 infectados e duas mortes; o segundo, 25 infectados e seis mortes.

A parte dessa dramática situação regional, o jornal “Estadão” publicou no dia 11 (segunda) reportagem sobre o momento aflitivo em que vive Quatá. Com 14 mil habitantes, o município registrava no dia 11 de maio, 10 casos confirmados, duas mortes e 16 suspeitos.

O município utiliza duas ambulâncias para transferir seus doentes, seja para Rancharia (a reportagem diz que há um leito reservado para Quatá), seja para Prudente, quando não houver vaga em nossa cidade.

Esse quadro mostra que Quatá precisa de ajuda e essa dificilmente virá de áreas estaduais ou federais, sobrecarregadas com a sempre crescente falta de leitos UTI nas maiores cidades.

Quatá pede socorro em jornal de circulação nacional e, nós, vizinhos, devemos ajudar, já que o atendimento imediato recai sobre o hospital de Rancharia.

No final de abril, o prefeito Ieia solicitou, por meio do deputado Mauro Bragato, a instalação de um hospital de campanha em Rancharia.

O deputado encaminhou pedido por meio burocrático, através de ofício.

Não haverá atendimento, já que Rancharia não se enquadra no perfil de municípios para a instalação de um hospital, que leva em conta população e outros índices pandêmicos.

Chegou a hora, portanto, dos gestores deixarem de lado as divergências políticas e se unirem com o objetivo de tentar ao jeito local uma maneira de minimizar os males que a doença poderá causar à população.

Rancharia, Quatá, João Ramalho, Iepê, Nantes e Martinópolis devem formar um Comitê de Crise a fim de pensar conjuntamente em soluções práticas.

A inclusão de Martinópolis se deve à sua falta de leito de UTI e a incapacidade de Prudente atender a sua demanda. E ainda por cima tem uma penitenciária com cerca de 1.300 detentos.

O Hospital de Rancharia já funciona como referência nessa microrregião e poderá receber no seu entorno (há espaço em seu imóvel) a montagem de um hospital de campanha, com mão de obra e financiamento dos municípios. Ou mesmo recuperar a UPA, que já está construída.

Em última hipótese, poderão ser requisitados os leitos dos dois motéis da cidade e do Hotel Canto Verde. Podem ser usados com os leitos clínicos e pernoites de profissionais da Saúde requisitados na região ou dos seis municípios participantes.

Rancharia é, portanto, a peça chave dessa microrregião de Saúde. Aos seus gestores cabem a liderança e a oportunidade de unir os municípios com o propósito de salvar vidas.

Rancharia, Quatá, Iepê, João Ramalho, Nantes e Martinópolis
UNI-VOS CONTRA O COVID.19!

 

 

 
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LETALIDADE ALTA E FALTA DE LEITOS
Escrito por Ulisses de Souza em 07/05/2020 às 14:20:16
 

O site UNIOL divulga hoje (7) reportagem na qual traça um panorama assustador devido ao aumento de pessoas infectadas e mortas pelo novo coronavírus, na região de Presidente Prudente.

O site analisou 45 municípios que pertencem à Divisão Regional de Saúde de Presidente Prudente e concluiu que a letalidade nesse grupo no dia de ontem (6) foi de 10,5%.

O índice é assustador, haja vista que o Brasil surge no mundo como o próximo epicentro da doença e tem um índice médio em torno de 7%. O índice da região de Prudente é próximo ao do registrado pela Espanha (11,6%).

Os números, se analisados superficialmente, podem levar a outras conclusões. Por exemplo: dos 45 municípios pesquisados, mais da metade (53%) não possui um único caso positivo. No entanto, ao transportamos para a população, concluímos que esses 24 municípios, de índice zero, têm juntos 171 mil habitantes, e os 21 com casos positivos reúnem 560 mil pessoas.

Isso quer dizer que a doença segue o que os cientistas previram. Hoje ela está se alastrando nas cidades com população entre 20 mil e 50 mil habitantes. Os 24 municípios que ainda não registraram a doença possuem uma média de 7 mil habitantes.

Outro número assustador é como atender essa população de 560 mil habitantes (21 municípios) que moram em cidades nas quais o vírus já chegou e faz aumentar os casos positivos a cada dia.

Apenas 4 municípios (8%) dos 45 da Divisão Regional de Saúde possuem leitos UTI do SUS. Ao todo são 57 leitos para atender cerca de 740 mil pessoas, se incluirmos a população carcerária da região.

Dos 45 municípios, 31 (69%) não possuem um único respirador para uma emergência.

Há mais de 40 dias, a pandemia do Covid.19 ronda nossas casas, nossa cidade e região.

Nesse período, Rancharia registrou três casos confirmados e uma morte. Ontem (5), quatro casos suspeitos foram descartados.

Esses números dão a falsa impressão de que tudo se encontra sob controle. As pessoas saem mais de casa. Ficam negligentes. Os jovens marcam churrascadas e lereias. Os comerciantes reivindicam a abertura do comércio. Aliás, muitos já estão atendendo, sem que haja fiscalização.

Não é só Rancharia. A região está displicente. Presidente Prudente deveria dar exemplo de acatamento das regras estabelecidas pela área da Saúde, haja vista ter poder de ressonância, já que as informações divulgadas partem de lá devido a centralização das mídias regionais.

Prudente é a única cidade da região monitorada pelo governo estadual que mede diariamente o índice de isolamento. Nos últimos três dias, registrou um dos piores índices do Estado, com 60% dos moradores que por uma razão ou outra deixaram de ficar em casa.

Por isso, seria bom que os gestores da Saúde emitissem o alerta, que já foi feito por pesquisadores da UNESP.

Se o isolamento social continuar sendo negligenciado não haverá leitos para atender o pico da doença na região.

 

 
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AJUDEM OS ‘FILEIROS’
Escrito por Ulisses de Souza em 02/05/2020 às 16:55:25
 

As filas sem fim nas imediações das agências da Caixa refletem uma triste imagem. A de uma população que deveria estar sendo protegida nessa pandemia. E não está.

No entanto, o auxílio emergencial tem jogado as famílias mais carentes a uma exposição criminosa diante do vírus que parou o planeta e faz vítimas diariamente.

Algum leitor há de perguntar. E daí? Não podemos fazer nada aqui em Rancharia. A responsabilidade é da Caixa.

Sou um jornalista cético. E não cego. Adquiri ao longo da vida uma visão de 360º. Inclusive por proteção em coberturas jornalísticas perigosas.

O meu ceticismo vai até um ponto. A partir do momento que sinto que nada acontece, desço meus dedos sobre o teclado e mando ver.

Como enxerguei os arredores da Caixa?

É nessa agência que recebo minha aposentadoria. Estou em isolamento domiciliar. Mas, recentemente, fui até a Caixa, com máscara quando ninguém usava. Estive lá entre 9h e 10h, que era (não sei se seguem isso ainda) o horário exclusivo dos idosos.

O que vi, não gostei. Uma fila imensa. A estagiária que controlava a entrada, disse em resposta à pergunta que fiz sobre o atendimento ao idoso. “Vá até o fim da fila”. A danada da fila (ainda não tinha a obrigatoriedade de distância) estava em frente ao Dispensário de Santo Antonio.

Não é necessário informar aqui que fiz valer meu direito.

Pois bem. Vamos lá. Estamos a pouco mais de um mês das festividades de junho, quando comemoramos o aniversário da cidade.

Neste ano, essas festas serão suspensas, obviamente. Mas aquelas tendas que são armadas ao lado da Caixa poderiam ser providenciais.

Quem monta é a Prefeitura a pedido dos padres da Igreja Católica.

Sob a tenda seria organizado o primeiro atendimento, a primeira triagem, com recepção, assunto, etc... Se for para receber $ a pessoa terá uma senha e sentará em uma cadeira com a distância de 1,5m para a outra. A Igreja poderá ceder suas cadeiras.

Poderão ser oferecidas máscaras a quem não tem. Álcool gel a quem não tem. Água gelada.

Serão usados os banheiros do salão da Casa Paroquial. Ou também, a Igreja pode acomodar esse pessoal da fila em seu salão, sem ter que armar as tendas.

Paralelamente, o Serviço Social deverá cadastrar esse pessoal. Vão encontrar, com certeza, “invisíveis” que não são atendidos em nenhum programa governamental.

A Secretaria da Saúde deveria dispor de enfermeiros para medir se as pessoas têm febre ou algum sintoma gripal.

A preocupação nossa tem que ser com os assintomáticos, aqueles que não têm sintoma.

Tem muita gente que é portadora do vírus, e não sabe.

A Prefeitura pode armar um esquema para auxiliar na obtenção de CPF, etc..

Mas, e as lotéricas?

Elas deixarão de atender os que vão atrás do auxílio. E serão proibidas de ficar anunciando sobre Mega-Sena acumulada. Isso é levar gente para engrossar filas.

Não esqueçamos que segunda-feira é o primeiro dia útil. Para quem usa a Caixa (a pagadora dos benefícios do governo) sabe o que é isso.

Vamos ajudar os “fileiros”.

Basta apenas uma conversa entre a Prefeitura e a Igreja Católica

A Saúde agradece e os “invisíveis” se sentirão visíveis. Sentir-se-ão cidadãos!

 

 
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O DESUMANO CORTE NA BOLSA DE ESTAGIÁRIOS DA SAÚDE
Escrito por Ulisses de Souza em 29/04/2020 às 15:50:05
 

A Prefeitura, por meio de decreto divulgado ontem (28 de abril), comete um erro abominável. Um ato desumano.

Ela cortou em 50% o valor da bolsa de estagiários, que é de R$ 1.050,00. Tudo em nome da queda da receita e “a imprescindibilidade de reduzir despesas”.

A medida, equivocada, pega em cheio quem deveria estar longe desse tipo de ação.

Cito os estagiários da área da Saúde. É cruel cortar metade das bolsas, mesmo pela justificativa de redução nas horas trabalhadas.

Aliás, tirar esses profissionais por um período do dia de suas atividades, trará prejuízos à população carente, a que mais sofre com o isolamento social.

Tomamos como exemplo os estagiários da Farmácia Municipal. Eles atendem a janela, ouvem pacientes (maioria idosos), correm pra lá e pra cá, mesmo sabendo que atuam em uma área de risco.

Eles são imprescindíveis nessa área de atividades essenciais, que é a Saúde.

Ao contrário de penalizá-los, a assessoria do prefeito deveria ter sugerido um aumento – em forma de bônus – a esses universitários, que optaram por cursos que exigem voluntarismo e disposição.

Vou além. Sugiro à assessoria do prefeito estudar um bônus individual a todos os funcionários da área da Saúde, mesmo os do Hospital.

O estudo, com a urgência que merece, deve alcançar os que têm salários mais baixos e estão na linha de frente. Excetuam-se os médicos, cujos rendimentos são compensadores.

Uma faxineira de UTI corre o mesmo risco que os demais profissionais.

Aliás, Rancharia poderia convidar os prefeitos de Quatá, João Ramalho, Iepê e Nantes a fim de oferecer o bônus aos funcionários do hospital. Eles estão desejosos em ajudar. O convênio que têm com o hospital permite essa alocação de receita para pagar recursos humanos.

Também poderiam ser convidados os vereadores, que têm a disposição mais de R$ 1 milhão para gastar neste ano como emendas impositivas.

Tá certo que por ser ano eleitoral, anteciparam há meses o caminho dessa grana. Tem emenda que faz corar pessoas sensatas. Mas ainda é tempo. O duro vai ser encontrar esse pessoal.

Mas, é só mandar um recadinho com o soldo mensal – que não é salário mínimo de estagiário - que estão recebendo sem trabalhar.

O corte no trabalho dos estagiários passa a valer depois de amanhã (sexta-feira).

Ainda é tempo de corrigir essa ação desumana em plena guerra contra uma pandemia provocada por um vírus ainda invisível e identificado.

 
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CORONAVÍRUS OU DENGUE. O QUE COMBATER EM RANCHARIA?
Escrito por Ulisses de Souza em 28/04/2020 às 12:53:47
 

Rancharia enfrenta duas anomalias na área da Saúde. Sérias, perigosas e mortíferas.

A pandemia de coronavírus, que se avizinha e que já provocou uma morte.

A epidemia de dengue, que se espalha junto com o rastilho de um mosquito, e que já provocou uma morte neste ano e duas – não confirmadas oficialmente – entre os dois últimos meses do ano passado.

Os números divulgados hoje (28 de abril) sobre a dengue assustam. Mais de 2 (duas) mil pessoas já contraíram a doença em quatro meses. Esse número pode chegar perto das 3 (três) mil, já que há mais de 700 casos aguardando resultados de exames.

Quanto ao coronavírus, sua investida é imprevisível. A tática de defesa tem que ser mudada diariamente.

Enquanto isso, o sistema de Saúde da cidade faz o que pode para atender tanta demanda de suspeitas das duas doenças.

O esforço hercúleo da secretária de Saúde, Tereza Araujo, tem evitado uma possível tragédia anunciada. Mas, ela e sua aguerrida equipe são poucos nessa luta.

A falta de informação nesse momento de crise nos faz crer que o buraco é mais embaixo.

Vejam o exemplo da dengue. Antes do dia 20, o site UNIOL tinha informações diárias sobre a evolução da doença. Os dados eram informados à população. No dia 20, última segunda-feira, a Prefeitura centralizou as informações sobre a dengue em seu site com o compromisso de que seriam publicadas todas as segundas-feiras.

O trabalho feito e divulgado no dia 20 merece elogios. No entanto, ao publicar o índice de suspeitos e confirmados por região da cidade, se desnudou diante dos olhos uma situação preocupante. A doença havia se espalhado por toda a cidade.

Talvez, por isso, deva ter ocorrido a suspensão da publicação. Até o momento que escrevo este artigo, 12h50 da quarta-feira, nada foi postado. Aliás, transparência nas informações não é o forte dos gestores públicos de Rancharia.

Uma pessoa morreu de coronavírus. Não foi identificada por problemas legais (apenas a família pode autorizar). Mas a Secretaria poderia informar, ao menos, se o homem de 64 anos contraiu o coronavírus em outra cidade ou em Rancharia. Se foi em nossa cidade, é preocupante, pois, a transmissão do Covid-19 é rápida e multiplicante.

Até agora ninguém ficou sabendo quantos leitos UTI estão funcionando no hospital. Os cinco da UTI antiga foram ativados?. Existem? Ou só funcionam os 10 recém-inaugurados? Os respiradores são 17? Há mais?

Por outro lado, o que é pior. Não se separa os suspeitos de dengue dos de coronavírus. Já era tempo de ter dois locais distintos para atender as pessoas, principalmente, as mais simples, que confundem os sintomas. De nada adianta centralizar tudo no Postão. As UBS precisam continuar o atendimento às demais doenças, ou as pessoas acham que câncer, bicho-do-pé, infarto, cirrose, infecções, pneumonia não necessitam mais de cuidados?

O Comitê de Crise, que temos sugerido, já deveria estar funcionado. Há uma pandemia e uma epidemia em curso, que precisam de ações para freá-las. Até as mais simples, como a de proibir o carro de som anunciar a Mega-Sena acumulada. Um gesto que só acumula filas, hoje, o principal foco transmissor do vírus invisível.

 

 
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PREFEITOS SÃO PREJUDICIAIS À SAÚDE
Escrito por Ulisses de Souza em 27/04/2020 às 16:34:50
 

A live publicada pelo prefeito de Quatá, Marcelo Pecchio, inoportuna e indelicada, sobre o hospital de Rancharia traz em seu bojo uma verdade.

A de que os gestores públicos de cidades vizinhas preferem alimentar polêmicas em redes sociais, quando o momento requer seriedade, decisão e união.

As bravatas de Pecchio sobre “o hospital é nosso” não devem ser levadas a sério, mesmo porque Quatá, Iepê, João Ramalho, Nantes e Rancharia são meros compradores de serviços de saúde do HMR. Ninguém é dono, apesar de moradores de Rancharia tê-lo construído.

O maior comprador de serviços é o SUS (R$ 6,6 milhões em 2018), mas o hospital não é público. Ele possui sócios. Na verdade, não passa de um gueto político. Há quase 20 anos, a maçonaria tomou conta do hospital ao derrotar o candidato a provedor, Onésio Flávio. A partir daí, nem sócios são admitidos.

Mesmo que o hospital seja uma “caixa preta”, sem transparências, os prefeitos deveriam participar da sua administração, já que todos se acham donos. O prefeito de João Ramalho, por exemplo, chega a acompanhar pacientes no período noturno e criticar por meio de lives o “mau atendimento do Pronto Socorro”.

Sou crítico contumaz sobre a forma de administrar o hospital. Sem o SUS ele não sobrevive, mas dá um atendimento não muito digno à população que depende da “saúde gratuita”.

Mas o que suscita dessa fala o prefeito de Quatá é a total ausência de interesse nos destinos do hospital de Rancharia, que atende, mediante convênio, um total de quase 60 mil pessoas, moradoras de Rancharia, Quatá, João Ramalho, Iepê e Nantes. E, juntos, esses 5 municípios são responsáveis apenas por 26,2% da receita advinda dos convênios.

O hospital de Rancharia possui 15 leitos UTI, todos do SUS. Dez foram recém-inaugurados e os antigos (5) não se sabe se estão funcionando. É insuficiente para atender, durante uma pandemia, os moradores de Rancharia, quanto mais os dos municípios conveniados.

E daí?

Daí é que há mais de 30 dias, a pandemia é assunto obrigatório em todas as mídias. O vírus desconhecido conseguiu parar e desafiar o mundo. Em países como Itália e Espanha, pequenos municípios como Rancharia e seus vizinhos foram dizimados pela doença.

Porém, nesse período, não se viu qualquer iniciativa desses cinco municípios a fim de criar um “Comitê de Crises” para gerenciar propostas que visem minimizar os impactos causados (ou que serão) pela pandemia do coronavírus.

Esses municípios estão todos em “estado de emergência”, o que permite transferir receitas para suprir os gastos em Saúde. Por que, então, não unir forças e dinheiro e fazer os investimentos necessários?

Um exemplo da falta de visão dos gestores públicos desses municípios é a UPA, construída há quase 10 anos em Rancharia e sem funcionamento. Dois prefeitos de Rancharia nesse período entenderam que o custo era muito alto para sua manutenção. Hoje, ela faz uma falta daquelas. O SAMU (ambulância com leito UTI) também.

Por que esses municípios não se uniram para tocar a UPA?

Agora, com a porta arrombada, os gestores têm que entender o equívoco cometido de não investir em Saúde. Limitaram-se a bancar os “custeios” com dinheiro que não é deles e sim do SUS.

Para se ter uma ideia da falta de investimentos, quatro municípios (Quatá, João Ramalho, Iepê e Nantes) possuem um único aparelho respirador. Por isso, chega a ser uma piada de mau gosto o prefeito de Quatá dizer que está “comprando um respirador e doar ao hospital de Rancharia”.

Nunca é tarde para as decisões em época de crise, já que têm que ser diárias.

Por isso, quem sabe a live do prefeito de Quatá possa despertar, no mínimo, a criação de um Comitê de Crise e evitar decisões personalistas e políticas, sempre prejudiciais à Saúde e ao atendimento da população, principalmente aos invisíveis.
 

 
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O VELHO E O CORONAVÍRUS - III
Escrito por Ulisses de Souza em 22/04/2020 às 12:56:12
 

O atual isolamento não passa de um hospital psiquiátrico virtual. Mas, com tudo invertido. Os loucos estão do lado de fora e muitos são esquizofrênicos irrecuperáveis.

Não é que o sociopata Sergio Moro teve uma ideia genial, que é a de internar compulsoriamente em contêineres presos com sintomas do coronavírus. Isso dentro das muralhas das penitenciárias.

No entanto, do lado de fora, quer isolar em contêineres os idosos com sintomas da doença.

O manicômio instalado traz à lembrança uma doença infectocontagiosa que isolou muita gente, por décadas, enquanto a ciência não descobria um remédio para curar aquele “mal de vários séculos”.

A doença ficou conhecida como lepra. O leproso sofria preconceito e era mandado para leprosários. Era uma condenação à morte. Quem tinha a doença era apartado pois a transmissão se fazia como se faz agora o coronavírus.

Hoje, tem tratamento e cura. Deixou de ter o substantivo preconceituoso, lepra. É conhecida por hanseníase.

Após a cura, colocaram um fim nos leprosários. Os sequelados, então, se transformaram em párias na sociedade.

Precisou o ex-presidente Lula, em 2007, reparar os danos causados aos ex-hóspedes de leprosários, ao autorizar o pagamento de abono vitalício aos que viveram arbitrariamente nos hospitais-colônias.

Mas, agora, os idosos “passíveis de confinamentos em contêineres” não terão tempo de vida a fim de receber qualquer reparo de governo federal “humano” pela crueldade a ser cometida. A maioria vai virar número na estatística macabra da pandemia.

A Bíblia, adotada pela maioria das religiões, mostra a atitude de Jesus, que, após tocar um leproso, o curou e o reintegrou à sociedade. Ao fazer isso, Cristo transgrediu a lei existente, que proibia o contato com esses doentes.

Sou católico, mas confesso que não li a Bíblia. Conheço algumas passagens. Por isso, copiei no Google uma 1ª leitura (lei do Moisés), que mostra como os leprosos eram discriminados. “O leproso andará com vestes rasgadas, cabelos soltos e barba coberta… Viverá isolado, morando fora do acampamento… Ao se encontrar com alguém, deve gritar: sou impuro…” (Lv 13,1-2.44-46)

Com essa pesquisa, me convenci que a pessoa “invisível” sempre existiu e hoje estão travestidas em moradores de rua, andarilhos, pedintes, etc.

Por isso, idosos, como eu, uni-vos!

Não deixem que nos transformem em os mais novos “invisíveis” da sociedade separatista, que sempre age em momentos propícios ao neofascismo.

Caso contrário, teremos que clamar para que Cristo volte a fim de purificar os impuros.
 

 
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OESTE PAULISTA, COLAPSO NA SAÚDE À VISTA
Escrito por Ulisses de Souza em 18/04/2020 às 10:58:47
 

Uma pesquisa realizada pela Unesp, amplamente divulgada pela mídia, diz que existe uma “falsa sensação de segurança” nas cidades do interior paulista e que a quarentena, já afrouxada, vai retardar a doença para o início do mês de maio.

Se essa previsão for confirmada, com a chegada do pico do coronavírus, a região de Presidente Prudente poderá entrar em colapso na área da saúde. Algo nunca imaginado.

Para uma população de mais de 900 mil pessoas, em 53 municípios, o SUS dispõe de 77 leitos de UTI e 184 respiradores.

Achar que a região vai implantar novos leitos de UTI com toda a aparelhagem necessária é algo inimaginável e utópico nessa altura do campeonato. Mesmo que haja dinheiro para compra, os piratas da Saúde – EUA no exterior e governo no Brasil – não vão permitir a entrega da mercadoria. Ficarão com ela.

A região, com alguns longínquos municípios, nunca soube lidar com a área da saúde. Parlamentares e gestores públicos sempre optaram pelas verbas de manutenção e preteriram os investimentos.

A maior parte dos investimentos foi para a compra demagógica de ambulâncias. Há mais de 30 anos, o governo implantou no oeste paulista a “ambulancioterapia”, que, dia a dia, despeja a maioria dos pacientes principalmente no Hospital Regional, ex-Hospital da Unoeste.

O oeste paulista, por sua extensa área de superfície, foi dividido em três regiões de governo. Mas, mesmo assim, a Saúde se manteve centralizada em Presidente Prudente.

Dracena é uma das subsedes. Reúne 10 cidades e tem a disposição 10 leitos de UTI e 22 respiradores para uma população de mais de 120 mil pessoas. Ou seja, pela matemática igualitária, dá um leito e dois respiradores para cada município.

Adamantina é a outra subsede. Nessa, a situação é pior. Tem 4 leitos de UTI e 24 respiradores para mais de 145 mil pessoas, em 12 cidades.

A principal é Presidente Prudente. Tem 31 municípios e uma população de cerca de 600 mil pessoas. Tem 59 leitos de UTI-SUS e 138 respiradores. Na cidade de Prudente, quem pode pagar ou tem plano de saúde tem a opção de usar 40 leitos particulares de UTI. No entanto, os respiradores são todos controlados pelo SUS, segundo dados atualizados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos da Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.

Para se ter uma ideia da gravidade, dos 53 municípios, apenas 5 (cinco) possuem leitos de UTI do SUS: Presidente Prudente (38), Rancharia (15), Dracena (10), Presidente Venceslau (10) e Adamantina (4).

Presidente Venceslau, o terceiro em quantidade, entrou até na Justiça para transferir seus pacientes ao HR. Nessa cidade, três pessoas morreram com a doença.

Vale acrescentar que um único paciente em internação ocupa o leito UTI por cerca de 20 dias.

Muitos precisam dos respiradores mecânicos. 32 municípios não têm nenhum. Apenas 4 (quatro) municípios – Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Rancharia e Dracena – reúnem 75% dos 184 respiradores existentes.

Ainda há somatória de situações anômolas, como atender cerca de 20 mil detentos, que estão apinhados em 18 unidades prisionais, que oferecem 12 mil vagas.

Ou também a situação de Rancharia. É a segunda da região de Prudente na oferta de leitos (15) e respiradores (17). No entanto, o hospital, por convênio, atende cerca de 20 mil pessoas dos municípios de Quatá e João Ramalho, seus vizinhos, que não possuem um único respirador. Os dois pertencem à região administrativa de Marília.

Os gestores públicos da região de Presidente Prudente. sempre foram folgados ou ineficientes. Preferem jogar o problema para quem tem mais estrutura. Mas, agora, que seria o momento de unirem-se a fim de definir a necessidade regional de atendimento, simplesmente cada um quer olhar apenas para o próprio umbigo.

O prefeito de Presidente Prudente, promotor Nelson Bugalho, age como se tivesse apenas a obrigação de acudir os cerca de 220 mil moradores da cidade. Ele, que, pela profissão, conhece a fundo cada rincão do oeste paulista, deveria ser o primeiro, a saber, que se o bicho pegar mesmo, um caos nunca visto será arrasador na região.

Há até os inconsequentes, como o prefeito de Martinópolis, delegado Cristiano Macedo Angel, que foi à Justiça para liberar o comércio na cidade. Como gestor, ele não tem um gato para puxar pelo rabo. Com uma população de 26 mil habitantes, sua cidade possui apenas 2 respiradores e nenhum leito de UTI. Ou seja, vai agradar empresários da cidade e encher o HR de pacientes com suspeitas da doença.

A região de Presidente Prudente é tão desunida que os prefeitos se dividem em duas entidades, a União dos Municípios da região do Pontal do Paranapanema (Unipontal) e a Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (Amnap).

Montar estratégia para receber a pandemia do coronavírus exige atitudes políticas. Como os deputados da região hibernam, tal qual ursos, resta a união dos prefeitos.

Caso contrário, os gestores públicos, quando entenderem a real situação, serão atropelados pela necessidade de comprarem áreas nos cemitérios dos municípios da região. Vai ser implantada a tática nazista da “escolha de Sofia”, bem ao gosto do atual ministro da Saúde.

O furacão se aproxima. Enquanto as autoridades fazem vistas grossas, fiquem em casa e tranquem bem portas e janelas para que suas famílias não sejam atingidas. Ou saiam da quarentena e engrossem as possíveis filas que vão se acumular à procura de leitos de UTI e respiradores.

 

 

 

 
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A TERRA PAROU, RANCHARIA, NÃO!
Escrito por Ulisses de Souza em 10/04/2020 às 12:39:14
 

O mundo parou. Há mais de 100 dias. Um vírus, aparentemente indefeso, põe de joelhos as maiores potências do planeta. Não há arma nuclear que possa derrotá-lo, nem o mais preparado exército.

Diante de tal tragédia sobre a humanidade entorpecida, restará a história a ser contada às próximas gerações, o que vivemos hoje. Será um exercício longevo. Para sempre.

Sob as penas de alguns historiadores haverá sempre um porém. Ou seja, apesar dessa forte realidade dos fatos, pouca coisa emergirá para contar o que aconteceu nas pequenas cidades. Só os filmes de ficção darão conta disso.

Esse prefácio é para chegar à nossa pequena e bucólica Rancharia. Uma cidade que já foi tudo e hoje não é nada. Padece de tudo. Nunca identificou o norte e sul. Sobrevive sem bússola. Sobrevive aos trancos e barrancos.

A palavra pandemia não é bem interpretada nesses rincões. As pessoas acham que é uma “gripezinha”, tal qual uma – a espanhola – que há cem anos dizimou parte da humanidade e ditou um novo ritmo ao mundo.

Mas, hoje, nesse amargo arrazoado, finco o pé ao afirmar que a pandemia do coronavírus passou e passa longe da pequena e bucólica Rancharia. Por quê? Talvez por razão de a caudilhagem secular ainda não desvencilhar a cidade da pestilência epidêmica grave, que é a cultural.

O mundo parou.

Menos para Rancharia e outros municípios pequenos e alguns comandados pelos satânicos seguidores de um presidente que não confia na ciência, e fala em nome de “Deus acima de tudo”.

Percorri ruas da cidade de Rancharia, no dia 9 de abril de 2020, quinta-feira santa. Um dia após o decreto municipal que só faltou disciplinar o horário que cada morador tivesse que ir ao sanitário. Comércio aberto. Filas e filas sem obedecer a distância recomendada entre uma pessoa e outra. Uma verdadeira pandemia, agora transformada em caos urbano.

Recorro a uma paródia para descrever o que senti.

A maioria das pessoas já ouviu falar, já leu, já assistiu filmes sobre a tragédia do Titanic, que a tecnologia da época desenvolveu como sendo um navio inaufragável.

Pois bem, esse monstro tecnológico foi a pique nas águas do Atlântico Norte. Isso há 108 anos, que serão completados na próxima terça-feira, dia 14 de abril de 2020.

Das 3.547 pessoas a bordo, 1.523 não conseguiram sobreviver ao naufrágio. Justamente, as que estavam na terceira classe. Não havia botes salva-vidas para todos os passageiros.

Rancharia possui um hospital que atende a, no mínimo, quatro municípios, com população estimada em cerca de 60 mil pessoas.

Tem 10 (dez) leitos de UTI e 13 respiradores mecânicos.

Quando o bicho pegar, a exemplo do mundo, não haverá leitos e nem respiradores para 99% dessa população.

No Titanic havia um comandante para decidir quem usaria o bote e quem ficaria nas águas geladas.

No caso do coronavírus é diferente. Quem já decide sobre a vida e a morte é o médico, quando ele mesmo não é atingido pelo vírus mortal.

Moradores de Rancharia. Fiquem em casa.

Comerciantes, mantenham suas portas cerradas. Não atraiam pessoas para uma armadilha mortal, após abandonar o benéfico isolamento social.

Raul Seixas, o nosso Rauzito, profetizou há 43 anos que isso aconteceria na letra de “O dia em que a terra parou”. Eu tinha 28 anos. Adorava Raulzito, mas nessa música minha opinião era a da maioria dos jovens. “Raulzito, agora, pirou de vez”. Ninguém poderia imaginar, com o galopante progresso tecnológico, que a terra um dia poderia parar.

E não é que a terra parou.

Mas, Rancharia, não!

 

 

 
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RANCHARIA, CIDADE SEM LEI?
Escrito por Ulisses de Souza em 01/04/2020 às 20:33:55
 

Há momentos em que o gestor público tem que deixar de lado o viés político para ser protagonista em crises como a que vivemos.

Em Rancharia, há um decreto municipal – com base em outro, estadual - que proíbe a abertura do comércio até o dia 07 de abril.

Proibição severa. Dá até prisão.

No dia 31 de março sai da quarentena senil para ir ao Posto de Saúde tomar a vacina contra gripe.

Aproveitei e dei uma volta pela cidade.

Achei que a encontraria deserta, como aquelas que a gente vê nos telejornais, principalmente na Europa, Ásia e EUA.

Qual nada. Vi um fuzuê de gente, de todas as idades, perambulando pelas ruas. Carros estacionados, aos montes.

As filas nos bancos, nas calçadas, não respeitavam a distância de dois metros de pessoa para pessoa. Misturavam-se velhos, jovens e adultos. Nos bancos oficiais – Brasil e Caixa – a muvuca era maior.

A surpresa maior ficou por conta de algumas lojas que estão burlando a lei. Ora, lei é lei e tem que ser cumprida.

Vi nas redes sociais uma postagem, daquelas verde e amarela que identificam a origem, convocando os comerciantes para que voltassem ao trabalho no dia 31. Centenas de compartilhamentos. Outras centenas de curtidas e comentários com adesões.

E o que é pior! Alguns empresários, diretores do hospital, apoiaram e compartilharam essa arbitrariedade. Entendo, que deveriam estar preocupados em preservar a vida e não incentivar para que haja ruptura do isolamento social. Eles, mais do que ninguém, sabem que o hospital não tem estrutura para suportar o pico da pandemia.

E não é que a coisa caminhou. A abertura ainda está meio tímida. Portas semiabertas.

Pensei comigo. É a desobediência civil, incentivada por um pária mundial, sem noção, e que desobedece até o seu Ministério da Saúde.

No decreto, há um artigo que promete fiscalização. Guarda municipal, polícias, fiscais da Prefeitura; não havia ninguém no entreaberto comércio da cidade.

Não sei como fica quanto ao aspecto legal, haja vista que o município parece cidade sem lei. O promotor, que deveria agir nessa hora, não existe, não tem, não aparece, e fim de papo.

Sem os poderes Judiciário e Legislativo, resta o Executivo, a Prefeitura.

Aliás, na área do legislativo, acho que os vereadores estão todos em isolamento total (não falam, não escrevem, não aparecem, não opinam, não ficam doentes...).

O único que deu sinal de vida foi o presidente da Câmara, Adauto de Oliveira, que, como presidente do Rancharia Clube entrou na dança e mandou abrir a porta da sede social.

O mais intrigante é que donos de lojas de Rancharia, que moram em outras cidades, autorizaram a porta semiaberta. Será que nas cidades deles, estão em quarentena?

Resta, então, mandar às pessoas que estão burlando a lei assinarem um documento, com a sugestão da médica Adriana de Oliveira Melo, que em 2015 foi pioneira ao identificar a relação do vírus zika com a microcefalia.

O texto adaptado seria o seguinte: “Eu, fulano de tal, por ser favorável ao fim do isolamento social, assino este termo pelo qual abro mão do respirador durante a pandemia de coronavírus”.

É só deixar a relação na portaria do Hospital que, com seus 14 respiradores, não vai ter capacidade para atender pacientes de Rancharia, João Ramalho, Quatá, Iepê, Nantes, que, juntos, reúnem cerca de 60 mil pessoas.

 

 

 
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EMBRATEL, O INVISÍVEL
Escrito por Ulisses de Souza em 29/03/2020 às 10:17:49
 

Embratel. Era o apelido. Não importa. Ele se tornou invisível nos últimos anos. Esqueceram o seu nome. Morava na rua. Vivia na rua. Comia na rua, o que lhe davam. E bebia na rua. E, como bebia!

Volta e meia, deixava os pontos dos companheiros de rua.

- Esteve internado?

Ele dava aquele sorriso maroto. Rosto inchado. Não respondia. Falava apenas:

- Você foi meu pai.

Ele se referia ao período que presidi a Casa do Pedrinho. Isso há quase 30 anos. Embratel era um menino de lá. Saiu, como muitos, quando a casa foi fechada.

Salvo engano, Embratel era o goleiro, com a bola

Tivemos naquela oportunidade esse relacionamento paternal, porém, sem paternalismos e sem filantropia material.

Embratel, você lembra que os meninos da Casa do Pedrinho, eram “adotados” por famílias, que davam presentes em épocas como o Natal? Uns recebiam presentes melhores, pois os padrinhos tinham posse. Outros, não. Vocês só estudavam, mas fugiam das aulas. Alegavam que não tinham roupas como os colegas e reclamavam de preconceito (hoje, bullying).

Fugiam da Casa. Almoçavam salsicha e arroz.

Acabamos com tudo isso. Você lembra?

Conseguimos a marcenaria do governo que estava montada no anexo do IE e todos vocês foram trabalhar. Fabricavam cabides, cadeiras e banquetas, que eram vendidos na loja do Paulo Miguel. O dinheiro arrecadado era distribuído entre todos e vocês podiam comprar o que queriam, obedecidas as prioridades, como roupas, etc.

O incansável Joãozinho era o instrutor da marcenaria

Vocês passaram a ser diferentes. Não eram mais os “meninos da Casa do Pedrinho”.

A comida passou a ser balanceada e o grosso da mistura era oferecido pelas indústrias de carnes e embutidos, Floresta.

Montamos uma sala de aula e professoras voluntárias ministravam ensinamentos de recuperação.

Aulas de recuperação eram diárias; filhas de funcionários participavam

O futebol de vocês era treinado pelo Polaco e Suíngue, dois técnicos que muitos times profissionais gostariam de ter na época.

Vocês se tornaram cidadãos visíveis, trabalhadores, estudantes e com dinheiro no bolso, mas obedecendo a um controle dos gastos que era feito pela diretoria.

Aos poucos fomos devolvendo esses meninos às famílias. Era uma reeducação familiar, comandada por psicóloga voluntária.

Nosso projeto foi destaque na TV Globo (quando era em Bauru).

Esse projeto acabou quando mudei de Rancharia, para mais um compromisso jornalístico. Sempre senti não tê-lo concluído.

Embratel, você não soube aproveitar a oportunidade. Não me lembro por qual razão.

Um dia o encontrei, já nas ruas, e você gritou: “Rede Globo”. Era alusão ao período que apresentei chamadas do jornal Oeste Notícias no horário nobre da TV Globo.

Você dizia que me mostrava na TV e se gabava em falar nos botecos: “esse aí foi meu pai”.

O nosso reencontro não foi legal. Você já não aceitava conselhos e quando me via com a câmera fotográfica, pedia:

- Tira uma foto e põe na Globo.

Você hoje foi notícia na Globo. Mas não como queria. Na reportagem, estava mais invisível do que nas praças de Rancharia. Não disseram o seu nome e nem o apelido. A reportagem informou apenas que você foi assassinado por causa de disputa de droga.

Que droga!

Não era esse o fim que você merecia.

 

 

 
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Hospital de Rancharia vai entrar em colapso
Escrito por Ulisses de Souza em 27/03/2020 às 19:07:54
 

O hospital de Presidente Venceslau recebeu entre ontem e hoje (27/03) um total de quatro casos com sintomas considerados graves do coronavírus. Foi o suficiente para acender a luz vermelha sobre a capacidade hospitalar do município.

O prefeito Jorge Duran fez uma live hoje e espinafrou o Hospital Regional e a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), que controla as vagas do SUS no estado de São Paulo. Ele queria transferir as pacientes para Presidente Prudente e não conseguiu. Óbvio. HR está com capacidade lotada.

O certo é que contra números não adianta espernear. Venceslau, com 40 mil habitantes, possui apenas 6 respiradores/ventilador. Todos estavam sendo usados, haja vista a entrada hoje pela manhã de pacientes com outras doenças, dois com insuficiência respiratória.

Já escrevi muito sobre a falsa ideia de que o hospital de Rancharia é referência para vários municípios. Atende pacientes de João Ramalho, Quatá, Nantes e Iepê. E não tem o devido ressarcimento financeiro como contrapartida.

Pois bem, esses quatro municípios somam juntos a mesma população de Rancharia (cerca de 29 mil habitantes). Juntos, têm apenas um aparelho respirador/ventilador, que está em Iepê. Rancharia possui 14 e vai ter que atender uma população de quase 59 mil habitantes (somados a esses municípios vizinhos).

Nem o ar livre vai suportar. E ninguém está dando bola pra isso!

E tem mais. Com o sistema hospitalar de Presidente Prudente saturado, Martinópolis, com 26 mil habitantes e 2 respiradores/ventilador pode recorrer à nossa “referência hospitalar”.

E tem mais outra coisa. Cinco leitos da UTI recém-inaugurada de Rancharia pertencem ao Cross (podem receber até as pacientes-mulheres de Venceslau).

Aliás, as quatro pacientes de Venceslau estiveram nos dias 14 e 15 num congresso de mulheres da igreja Assembleia de Deus, com a presença de cerca de 500 pessoas. Agora, 12 dias depois, é que a doença se manifestou.

Esse citado fim de semana, 14 e 15 (sábado e domingo), é o mesmo da visita à região do pastor da Assembleia de Deus Ministério Madureira, deputado federal Cesinha. Ele estava com o vírus e colocou mais de 60 pessoas das cidades que visitou em isolamento domiciliar. Vários prefeitos foram para o confinamento obrigatório.

Guiados por um impulso psicótico de um tresloucado presidente da República, várias pessoas clamam em suas cidades pelo fim do isolamento domiciliar e o retorno ao trabalho. Hoje (27) à tarde foi em Martinópolis, cidade que não aguenta duas pessoas com insuficiência respiratória, pois possui apenas dois respiradores/ventilador.

Vale destacar ainda que há uma população carcerária em Martinópolis que, volta e meia, manda os detentos doentes para atendimento em Rancharia.

Inconsequentes! Que não venham pedir arrego ao também incipiente sistema de saúde de Rancharia, na área hospitalar.

Amanhã, sábado (28), comerciantes, empresários e empregados de Rancharia marcaram uma manifestação para pedir o fim do isolamento domiciliar.

Será que os participantes terão a coragem de se identificar para que num futuro mais próximo do que imaginam eles sejam preteridos na porta do hospital?

Obviamente, que ninguém quer isso.

Por isso, eles têm que entender que, em primeiro lugar, é necessário preservar a vida.

Hoje (27), à tarde, uma imagem correu o mundo. A do Papa Francisco, sozinho, na sempre superlotada Praça São Pedro, dando a consagração da Páscoa (atividade anual rara na igreja Católica).

Ele destacou o exemplo de pessoas que estão mantendo os serviços essenciais. “Médicos, enfermeiros, funcionários de supermercados, pessoal da limpeza, transportadores, forças policiais, voluntários, sacerdotes, religiosas e muitos – mas muitos – outros que compreenderam que ninguém se salva sozinho”, disse.

Como sempre, enviou um recado fundamental ao mundo, neste momento de pandemia.

“Ninguém se salva sozinho”.

Entre o Papa e o psicopata capitão-presidente, fico com o Papa.

Os genocidas que fiquem com o capitão.


 

 
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O VELHO E O CORONAVÍRUS - II
Escrito por Ulisses de Souza em 26/03/2020 às 16:37:28
 

A cada dia que passa, a gente sente que o velho, com idade acima dos 60 anos, é carta fora do baralho. Não vale um cinco de copas, que, aliás, tem como naipe um coração.

O certo é que não é de hoje que as cidades o rejeitam. Não há como fazer uma caminhada, já que as calçadas não permitem. Ou fica em casa, ou sai passear de carro, quem sabe com um cachorrinho ao lado.

Parada em botecos é permitida. Mas, hoje, nem isso!

O velho vive enfurnado em casa, sem ter o que fazer. Ninguém dá oportunidade de emprego para o idoso. Hábito diário de muitos é colocar uma cadeira na calçada e ver o mundo passar sob o andar das pessoas.

Mas, hoje, com o coronavírus, o velho está sendo tratado como uma peça de carro que não serve mais e vai pro lixo. Criaram a figura do senil descartável.

O velho de hoje, acima dos 60 anos, nasceu nas décadas de 30 e 40, viveu na juventude tentando aproveitá-la ao máximo, pois, naquela época, sabia que não chegaria a ser sexagenário.

Mas, qual nada. A medicina, ou os laboratórios, esticaram a vida, e não conseguiram dar sobrevida a órgãos como coração, pulmão, fígado, rim, próstata, etc. Por isso, falam que nós - tenho 71 anos - padecemos de uma tal de “Imunossenescência”, que nada mais é que o envelhecimento do organismo.

Além dos médicos, agora vem o capitão-presidente, que também é do grupo de risco – tem 65 anos – impor regras a fim de dizimar o pessoal do INSS. O modelo neoliberal não perdoa a vida humana. Troca, sem pestanejar, milhares de velhos por um avanço na pibinho.

Isolaram o idoso. Como não trabalha, tem que ficar em casa. Não serve mais nem para cuidar de netos.

Se considerarmos que um casal de idoso, isolado, tem cerca de 40 anos pra cima de união (fora os anos de namoro e noivado), junto. Esse tal do coronavírus vai, isto, sim, criar duas novas figuras domésticas: a mulher-bomba e o homem-bomba.

Meu pai morreu há menos de um mês, com quase 99 anos. Sábio. Seo Juca foi um sábio e soube partir antes de sofrer essa segregação do senil.

Surge, também, um novo preconceito. Contra o senil. Hoje, uma pessoa mais nova ao ver um velho no supermercado vai pensar: “o que esse veio tá fazendo aqui, só vai atrapalhar pois vai pegar antes de nós um respirador mecânico”.

O coronavírus vai fazer o mundo repensar. Deus perdoa, mas a natureza não. O mundo globalizado permitiu essa rapidez de propagação da doença e pegou todo mundo de calças curtas. Lembro-me quando o produtor rural, Murata (de Rancharia), em entrevista que fiz para a Folha de S.Paulo disse que trouxe do Japão uma muda da pera gigante escondida no paletó, pois era proibido por recomendação de sanidade vegetal. Agora, o vírus vem em qualquer espirro de quem viajou.

O duro é que muitos velhos já pertencem aos vulneráveis da vida, aos excluídos pela pobreza. Até agora, os gestores públicos os ignoram. Até para tomar vacina da gripe, eles têm que ir atrás, e dar de cara com o aviso de que não há mais.

Deus perdoa, mas a natureza, não! Como disse o idoso mais consciente desse planeta, o Papa Francisco.

Ah!, idoso, você está lento demais para ficar nesse mundo.

 

 

 

 

 

 
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DESINFORMAÇÃO
Escrito por Ulisses de Souza em 22/03/2020 às 20:38:53
 

Tenho atualizado diariamente o site UNIOL – www.uniol.inf.br – com as estatísticas sobre o coronavírus em Rancharia. Faço uma pequena chamada sobre o principal da notícia publicada. A primeira nota sobre o caso suspeito foi dada no dia 18, quarta-feira. No sábado, 21, um internauta fez o seguinte comentário na minha postagem: “o caso suspeito, ainda continua suspeito?”

O internauta tem razão. Falta a informação diária sobre o que está ocorrendo e a Prefeitura divulgou apenas dois comunicados sobre o assunto, dias 18 e 19.

Não é só Rancharia. Presidente Prudente deixou de publicar sábado e domingo e já gerou a maior chiadeira nas redes sociais.

Em São Paulo, em dois dias (sábado e hoje), houve um aumento de 440% no número de mortes; de oito para 22.

Na rede social, todos querem ser jornalistas. Dão informações incorretas e compartilham fak news. Não têm compromisso com a notícia. Mas nós temos. Estou nessa luta há mais de 40 anos e só não cobri guerra, o resto, tudo.

Sei melhor do que ninguém sobre a sobrecarga que está recebendo, por exemplo, a secretária de Saúde do Município. Ela tem que planejar e decidir sobre todos os setores (a dengue não acabou), e não dá tempo nem de pensar em informar o que está acontecendo.

A informação tem que ser sobre tudo e não apenas no que diz respeito aos números de suspeitos. Por exemplo, amanhã o comércio vai estar fechado. Quem não fechar o que vai acontecer? Como vai atender? Ouvi uma informação segundo a qual o Supermercados Avenida não vai permitir a entrada de idosos. No site da empresa não há qualquer informação sobre isso.

A Associação Comercial já deveria ter saído a campo a fim de tentar organizar o que já está desorganizado. Deveria, por exemplo, montar uma plataforma em seu site e informar quais os restaurantes, bares e lanchonetes que vão oferecer delivery e até cardápio e preço. Informar as farmácias que têm álcoolgel, a origem e o preço. Essas informações precisam ser unificadas. Favorece a população e o pequeno empresário que tem pouca condição de divulgar o seu comércio.

Cada informação nessa área seria captada pelo Departamento Municipal de Comunicação, que repassaria aos veículos de comunicação.

Não podemos esquecer que, hoje, a grande mídia pauta para a elite. “aos bem nascidos que foram surpreendidos pela pandemia no exterior”, segundo escreveu hoje (22) o meu amigo jornalista José Maschio. A pandemia atinge a todas as classes sociais, mas os mais pobres ficam alijados das informações que precisam.

A jornalista Claudia Werneck escreveu hoje na Folha que durante uma pandemia, como a do coronavírus, ficar sem acesso à informação “é viver em desvantagem, é morrer todo dia, é viver se fingindo de morto”. Para ela, “quem não é público-alvo da comunicação deixa de ser público e fica em vulnerabilidade crescente”.

É o caso, por exemplo, em Rancharia. Amanhã (22), segunda-feira, começa a vacinação contra a gripe para os idosos. A tradicional sala de atendimento do Postão foi transferida para o CSU. Garanto que poucos idosos sabem.

Em Rancharia, temos cerca de 4.300 idosos que poderão ser vacinados. Com o isolamento domiciliar obrigatório, como poderão ir aos locais? Enfrentarão filas? Por que não vaciná-los em casa?

Tá certo que há aqueles que não recebem a informação através das TVs e internet. Mas quase todos têm o seu radinho a pilha. Há duas rádios no município. Usá-las num mesmo horário para divulgar as informações seria o ideal.

Um juiz paulista demorou apenas 40 minutos na sexta-feira para conceder liminar ao Ministério Público que, entre outras coisas, obriga a Secretaria Estadual de Saúde e a da Capital a divulgar diariamente todos os dados e informações importantes sobre a doença, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Foi severo em sua decisão. Proibiu os cultos com a mesma pena para o pastor. É óbvio que essa decisão vai chegar aos municípios.

A população de Rancharia precisa saber que o município, segundo o Ministério da Saúde, possui apenas 14 respiradores/ventilador, o que dá uma média de um para cada 2.100 pessoas. A população precisa saber se foram encomendados mais, já que a demora para entrega é muito grande.

A população de Rancharia precisa saber que o hospital tem 15 leitos de UTI e 10 são do SUS, ou seja, poderão ser ocupados por pacientes de outras cidades.

Essas informações precisam ser transmitidas para que a população se conscientize que o isolamento total é a única arma para evitar um pico, no qual se escolherá quem vai morrer.

Aprendi uma coisa na minha carreira de jornalista. Não podemos informar um “céu de brigadeiro” quando ele é de tempestade.

De minha parte, reitero minha decisão de ser voluntário a fim de colaborar na área de comunicação.


 

 
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